terça-feira, 26 de outubro de 2010

O papel da Aliança no contexto nacional


Por Rodrugo Lyra, aluno de Sociologia e membro da Aliança pela Liberdade.

O título é pretensioso? Antes de condenarmos o autor do texto, voltemos aos anos da Ditadura Militar. Se por um lado havia a repressão como política de estado, por outro havia um terrorismo marxista como resposta igualmente danosa. A sociedade civil não fardada e não vermelha, carecia de representação.

Nessa mesma época cresceu o chamado ‘’movimento estudantil’’ em todo o Brasil, que apesar de ser amplamente apoiado por correntes extremistas da esquerda, possuía também estudantes interessados não em uma outra revolução – a vermelha – mas em lutar por um Estado aberto e condizente com a realidade social.

Esse tempo passou. O país se democratizou, se modernizou e, por tabela, as representações político-partidárias e estudantis também, correto? Será? Para responder essa pergunta devemos analisar o perfil da sociedade e dos estudantes dos dias de hoje.

A revista Veja realizou uma enquete sobre como os seus eleitores gostariam que o próximo presidente agisse em relação ao Estado. Quase 70% optaram pela alternativa de diminuir o tamanho da máquina pública, 20% optaram pela redução a um Estado mínimo e, apenas 8%, optaram por um Estado maior, com mais programas sociais e interventor, uma postura, portanto, conservadora do modelo atual.

Sabemos que a pesquisa pode representar o anseio de apenas uma parte muito pequena da população, que possui acesso à internet e interesse pelo assunto. No entanto, segundo o cientista político Christopher Garman, a pesquisa serve para evidenciar mudanças de mentalidade. O brasileiro aos poucos, estaria se tornando menos benevolente com um Estado presente primordialmente na hora de cobrar altos tributos, mas ausente quando ao prestar seus deveres mais básicos.

Essa provável mudança de mentalidade é reflexo do bom cenário econômico em que nosso país vive, resultado não de um mandato de oito anos, mas de inúmeros fatores e reformas anteriores, além de sorte. O aumento de renda promove mais educação e consciência do real papel do Estado, se está auxiliando ou não o empreendimento do cidadão, desde a formação de lan-houses em favelas por próprios moradores, até a abertura de grandes empresas.

A sociedade mudou e seria ignorância achar que os estudantes estariam atrasados ou parados no tempo. A votação expressiva da chapa Aliança pela Liberdade da UnB comprova que cada vez mais estudantes se identificam com nossas propostas e idéias de eficiência, transparência e independência de agendas partidárias feitas sob uma ótica de revolução industrial.

A Aliança chamou a responsabilidade para ser a representante discente dessa nova geração de estudantes, que se torna cada vez maior. A pergunta que fica é: quando teremos representantes políticos, candidatos à presidência que assumam o compromisso de representar essa nova demanda de interesses? Não sabemos ao certo, mas em um nível menor, dentro da realidade da Universidade de Brasília, a Aliança desempenha o seu papel.

Referência: http://veja.abril.com.br/noticia/economia/pensamento-liberal-sobre-o-papel-do-estado-ainda-nao-se-disseminou

4 comentários:

Deco disse...

Eu diria que o terrorismo de esquerda era "também danoso", mas não "igualmente". De qualquer sorte, não há dúvidas de que a opção política pregada pelo mov armado de esquerda era absurdamente mais violenta e perigosa do que a ditadura estatista efetivada pelos militares.

octavio disse...

Discordo plenamente, Deco.
Não é correto que se afirme que o "terrorismo de esquerda" era mais danoso que o da ditadura militar.

É certo, tanto pelo contexto político quanto pela repressão, que qualquer movimento político que tentasse se insurgir, caso não se defendesse - e atacasse - era durante massacrado.

Durante uma ditadura é nítido quem são as vítimas e quem é o opressor.

Deco disse...

Mas eu disse justamente o que vc disse. Quis dizer que o terrorismo de esquerda era menos danoso que a ditadura. Faticamente, foi menos danoso.

Noctua disse...

Vítima e opressor? Tenha dó Octavio. Política não é um desenho animado com mocinhos e vilôes. O que existia era a luta entre dois grupos autoritários, um alocado no Estado e outro fora dele.

Essa tautologia de que o grupo foi perseguido pela ditadura, logo, é democrático, é uma falácia deslavada.

Por outro lado, o fato de que se tratava de grupos francamente autoritários não justifica a perseguição e demais atrocidades ocorridas. Se você for observar a inspiração política dessas organizações, verá que eles não tem um modelo de implementação de democracia, mas sim um modelo de revolução socialista. Uns se inspiravam no modelo stalinista, outros no modelo cubano, outros ainda no modelo chinês (de Mao) e havia ainda quem se inspirasse no partido comunista da Albânia. Não são propriamente exemplos de democracia, você há de convir.

Enfim, esse nem era o cerne do artigo. O importante é que os grupos estudantis ficaram escancaradamente anacrônicos, vítimas de um certo imobilismo. O mundo mudou, assim como os anseios da sociedade e dos estudantes em relação ao ensino.

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