sábado, 1 de outubro de 2011

Nossa chapa para DCE e RDs

COORDENAÇÃO EXECUTIVA DO DCE

Coordenadoria-Geral
Mariana de Oliveira Sinício – Economia
Octávio Henrique Bernardo Torres - Direito
Nilton Carlo Oliveira Locatelli - Direito

Coordenadoria de Organização
Camila Milanez - Economia
Pedro Henrique Saad - Direito
Renato Rabelo - Economia

Coordenadoria de Assistência Estudantil
Débora Gemima - Direito
Virgínia Nogueira - Direito
Mateus Lôbo - Ciência Política

Coordenadoria de Finanças e Patrimônio
Fabio Monteiro Lima - Direito
Henrique Félix - Direito
Nicolas Powidayko - Economia

Coordenadoria de Comunicação
Davi Brito - Direito
Marcos Valente - Relações Internacionais
Ian Ferreira - Engenharia da Computação

Coordenadoria de Integração Estudantil e Movimentos Sociais
Kaio Felipe - Ciência Política


Coordenadoria de Cultura, Esportes e Eventos
Roberta Machado - Direito
Carolina Masson - Direito
Kadu Freire de Abreu - Direito


Coordenadoria de Ensino, Pesquisa e Extensão
Alexandre Neves - Economia
Gustavo Coelho - Economia
Vinicius Sato - Economia
Pedro Ivo - Engenharia Civil

Coordenadoria de Formação Política e Movimentos Sociais
Simone Alves - Ciência Política
Leonardo Volpatti - Ciência Política

CONSELHOS DELIBERATIVOS

Conselho Universitário - CONSUNI
Mariana Sinício - Economia
Fabio Lima - Direito (Suplente)
Mateus Lôbo - Ciência Política
Henrique Félix - Direito (Suplente)
Rodrigo Lyra - Ciência Política


Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão – CEPE
Pedro Henrique Saad - Direito
Marcos Valente - Relações Internacionais (suplente)
Nicolas Powidayko - Economia
Davi Brito - Direito (suplente).

Conselho Administrativo – CAD
Vinícius Sato - Economia
Nilton Locatelli - Direito (Suplente)



sábado, 24 de setembro de 2011

Consuni decide pela expansão do caos da UnB Ceilândia.

*Por Renato Rabelo

Ontem, 23/09/2011, ocorreu mais uma reunião do Conselho Universitário (Consuni) da Universidade de Brasília em que foi discutida a suspensão do vestibular do Campus Ceilândia. A reunião, que começou às 14h30min, só foi acabar por volta das 20h.

A Aliança pela Liberdade deixou bem claro o seu posicionamento perante os demais presentes, votamos a favor da suspensão do vestibular do Campus Ceilândia. Isso porque entendemos que não existe infraestrutura nenhuma disponível para receber novos alunos e por estarmos acompanhando o descaso por parte do Governo do Distrito Federal e da administração da UnB, os responsáveis por deixar essa situação chegar aonde chegou. Há três anos a entrega do Campus vem se arrastando e enquanto isso quase dois mil alunos convivem, diariamente, com a precarização do ensino e das instalações da universidade.

O Consuni, por 38 votos a 18, rejeitou a suspensão do próximo vestibular para os cursos da Faculdade de Ceilândia e também a algumas semanas atrás aprovou a criação de cinco novos cursos na UnB, entre eles está o de Fonoaudiologia (que será em Ceilândia), o que mostra como é feita essa expansão universitária sem planejamento em que o objetivo é, meramente, aumentar o número de alunos e de cursos, não buscando excelência acadêmica.

O aluno de Ciência Política, Mateus Lôbo, representante da Aliança no Consuni, em sua fala buscou defender a causa e não o método, ressaltando o fato de que foram diversas as tentativas dos estudantes da FCE em conseguir dialogar com a reitoria. A Secretaria de Comunicação (Secom) da UnB fez uma compilação de seu discurso:

''Eu estava lá no dia da invasão. Peço desculpas pelos danos á universidade que represento, pela violência. Aquilo não é digno de acontecer na sociedade, quanto mais na universidade. Ao mesmo tempo, sei que situações assim acontecem quando um dos lados não encontra um canal de reclamação. O lado que acredito que errou foi a Administração, por não agir com clareza. Se a UnB conseguiu ter autonomia para atender 10 pontos, porque não fez isso há 6 meses, há 1 ano? Encaminho pela suspensão por entender que é um ambiente de total indignidade.''

Leia mais sobre o caso pela Secretária de Comunicação da UnB por estes links:

http://www.unb.br/noticias/unbagencia/unbagencia.php?id=5701.
http://www.unb.br/noticias/unbagencia/unbagencia.php?id=5700.

*Renato Rabelo é estudante de Economia-UnB e membro da Aliança pela Liberdade.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Apresentação da Aliança

Quer libertar a Palestina? www.palestinecampaign.org
Quer cantar a gloriosa Internacional Comunista? http://youtu.be/bHV8E3MW250


Quer construir uma UnB mais LIVRE e de EXCELÊNCIA, pautada pelo mérito acadêmico, com debate amplo, segurança e infra-estrutura? Participe nas decisões da SUA universidade!

Nós temos cerca de 20% das cadeiras discentes nos conselhos superiores da UnB. Nós somos representantes dos estudantes da UnB e somos abertos a todos que não se sentem contemplados pelo movimento estudantil tradicional.


Saiba mais! Faça Parte!
Nossa reunião de apresentação ocorrerá:

Segunda-feira, 05/09, 18:20, na sala A1-10 da FA (primeiro andar).

Todos serão muito bem-vindos!

sábado, 20 de agosto de 2011

Estupro, de novo...


Pode ser lido aqui alguns detalhes da mais nova tragédia que ocorreu na UnB.

Novamente, um local de concretização de sonhos e realizações se torna um propiciador de um irreversível trauma que será levado até o fim da vida de uma inocente.

Debates acadêmicos mostram que nossa cultura incentiva o estupro, que nossa cultura ensina a mulher a ter medo do estuprador, mas não ensina o homem a não estuprar. Essa é uma questão cultural muito séria, que leva anos e mais anos para ser tratada. Contudo, enquanto uma mudança neste sentido não é efetiva, o mínimo que deve ser feito é garantir o mínimo de segurança.

As parcas condições da segurança no campus Darcy Ribeiro são amplamente conhecidas. Recentemente a administração da UnB começou a fazer algo sobre este problema, instalou algumas câmeras no estacionamentos, reuniu o Conselho Comunitário de Segurança...
No entanto, algumas coisas muito básicas e rápidas não são feitas, uma delas é a melhoria da iluminação.

Sabendo deste problema, nós da Aliança pela Liberdade já tínhamos requisitado à Administração da UnB a melhoria da iluminação do campus. Obviamente, esta não seria a solução para os problemas de violência da UnB, mas com certeza é um bom passo inicial. Infelizmente, quando foi-se fazer um laudo da situação da iluminação na UnB, os servidores entraram em greve...

Estupros na UnB são praticamente anuais, e a Reitoria e a Prefeitura são negligentes quanto a isso. Tragicamente, nossos esforços não surtiram efeitos a tempo de evitar esta calamidade que, provavelmente, será vista como mais um número nas estatísticas...


Abaixo o requerimento citado no texto:

Brasília, 03 de junho de 2011

Magnífico Reitor José Geraldo de Souza Júnior,Vossa Senhoria Prefeito Paulo Cesar Marques da Silva,Prezados membros da Coordenadoria de Proteção ao Patrimônio (COPP),Demais órgãos competentes,

É corrente acontecerem furtos, arrombamentos de carros e assaltos a mão armada dentro do campus Darcy Ribeiro. Tentativas de sequestro, estupro e outros também não são impossíveis de acontecer. O campus, por ser aberto, é extremamente vulnerável a riscos como esses.

A falta de segurança na UnB é, sem dúvidas um algo crítico, atingindo tanto professores, quanto estudantes e servidores técnico-administrativos. Contudo, há certas medidas não muito onerosas que podem ser feitas rapidamente para que os riscos diminuam. Foi feita uma pesquisa pelo Instituto de Psicologia desta universidade que mostrou que a falta de iluminação é uma das características que mais faz falta aos membros da comunidade acadêmica.

O estacionamento do ICC Sul tem pontos em que ao início da tarde já não se consegue ver se existe alguém ao lado de seu carro devido a falta de iluminação. A FA tem um estacionamento “carinhosamente” apelidade de “Sequestrinho”. Quem tem que se locomover até a L2 para pegar um ônibus depois das aulas noturnas passa necessariamente por áreas de um breu absoluto, sem comentar que passam também por áreas não pavimentadas, grandes incentivadoras de ações como o estupro que ocorreu em 2010. Quem tem que ir a BCE ou a Reitoria de qualquer outro prédio do campus o faz correndo, com medo do que pode haver naquela escuridão. Se se quer ir do CO para o resto do campus, então, nem se fala.

O Magnífico Reitor já se manifestou, inclusive no já citado episódio do estupro, que o material para as mudanças necessárias na iluminação já estavam em processo de licitação e logo o problema estaria resolvido. Faz mais de um ano e a situação continua a mesma, com exceção, é claro, das lâmpadas dos postes que queimaram (afinal, já se passou mais de um ano!) e não foram trocadas.

A situação da segurança é complexa, mas melhorar a iluminação do campus não é uma medida que demande tanto esforço ou recursos, por isso, questiono por meio deste documento oficial: quando o campus Darcy Ribeiro terá iluminação decente? Quero saber de estudos, planejamentos e prazos para a implementação. Por favor, não deixemos que mais mulheres sejam estupradas ou que se repita na UnB a fatalidade que ocorreu há poucos dias na USP.

Respeitosamente,

Davi Rodrigues Brito
Presidente do grupo discente Aliança pela Liberdade
Conselheiro discente no Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE).

Subscrevem este documento:

Mateus Lôbo de Aquino Moura e Silva,
Vice-Presidente do grupo discente Aliança pela Liberdade
Conselheiro discente no Conselho Superior Universitário (CONSUNI);

Alexandre Neves,Conselheiro discente no Conselho de Administração (CAD);

Kaio Felipe Mendes de Oliveira Santos
Conselheiro discente no Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE);e

Rodrigo Lyra,Conselheiro discente no Conselho Superior Universitário (CONSUNI).

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Ex-alunos célebres da UnB


*Por Mateus Lôbo

Grandes Universidades produzem grandes pensadores, grandes cientistas, ou simplesmente grandes profissionais para as mais diversas áreas do mercado de trabalho. E a nossa Universidade tem conseguido fazer isso com maestria, mesmo para sua pouca idade.

Você sabia que dois dos onze ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), orgão máximo do Poder Judiciário no Brasil, estudaram na Universidade de Brasília?

O Ministro Gilmar Mendes, primeiro ex-aluno da UnB a integrar o STF, graduou e pós-graduou-se na nossa Universidade e realizou seus estudos de doutoramento na Alemanha. Ele ainda dá aulas na nossa Universidade nas cadeiras de Direito Constitucional e Direitos Fundamentais. Vale lembrar que o professor e ministro é considerado um dos maiores constitucionalistas do nosso país.

O outro Ministro do STF ex-aluno da UnB é o Ministro Joaquim Barbosa, que também graduou e pós-graduou-se na nossa Universidade e realizou os seus estudos doutorais na Universidade de Paris-II (Panthéon-Assas), França.

O ministro Joaquim Barbosa é o relator do processo de denúncia sobre o notório Mensalão. Em setembro de 2007 a revista Veja assim o definia:

O Brasil nunca teve um ministro como ele (…) No julgamento histórico em que o STF pôs os mensaleiros (e o governo e o PT) no banco dos réus, Joaquim Barbosa foi a estrela – ele, o negro que fala alemão, o mineiro que dança forró, o juiz que adora história e ternos de Los Angeles e Paris.

Agora deixando o direito de lado e indo para as ciências exatas, você sabia que o atual Chief Scientist do Microsoft Research, considerado o laboratório de pesquisas mais influente do mundo na área de ciência e tecnologia da computação, é um ex-aluno do departamento de Engenharia Elétrica da UnB?

O nome dele é Henrique Malvar ou como em seu perfil no Facebook, Rico Malvar. Ele chegou a Microsoft em 1997, mas antes disso fundou na nossa Universidade, como professor, o Grupo de Pesquisa em Processamento Digital de Sinais (GPDS), ainda em atividade na UnB.

Malvar é pós-doutor em Engenharia Elétrica e em Ciência da Computação pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) e é autor ou co-autor de mais de 100 patentes e tem cerca de 150 artigos científicos publicados. Leia o perfil dele na Microsoft aqui: http://research.microsoft.com/en-us/people/malvar/.

Agora que já falamos sobre profissionais oriundos da UnB nas áreas de direito e da tecnologia, é chegada a hora de falarmos dos profissionais da saúde que nossa Universidade formou. Por exemplo, o atual Diretor Geral do Instituto do Câncer de São Paulo (ICESP) – que é maior centro oncológico da América Latina – graduou-se na UnB e chama-se Paulo Marcelo Gehm Hoff . O professor Paulo Marcelo é também o Diretor-Clínico da Oncologia do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, onde leciona, como Professor Titular, a disciplina de Oncologia do Departamento de Radiologia.

Outro profissional da saúde forjado nos bancos da Universidade de Brasília é o médico e professor Antônio Sérgio Torloni. Ele é Professor Assistente do Laboratório de Patologias da Clínica Mayo, prestigiado centro de estudos médicos dos Estados Unidos.

Além disso, dentre os profissionais na área de ciências sociais que estudaram na UnB podemos citar dois nomes de peso: o economista Alexandre Antônio Tombini e a também economista Marcelle Chauvet.

Antônio Tombini é o atual Presidente do Banco Central do Brasil e formou-se na nossa Universidade em dezembro de 1984 e entre março de 1993 e dezembro de 1994 foi Professor Visitante do Departamento de Economia da UnB. Tombini é Ph.D em economia pela Universidade de Illinois nos Estados Unidos.

Finalmente, Marcelle Chauvet é Chefe do Departamento de Estudos Latino-Americanos da Universidade da Califórnia e é a pessoa por trás de um dos mais eficazes métodos estatísticos utilizados pelo Banco Central dos Estados Unidos (Federal Reserve) na detecção de recessões. O modelo estatístico criado por Chauvet chama-se “Modelo de Fator Dinâmico com Regime de Markov” e assim foi definido por Gabriel Pérez-Quirós, chefe da Divisão de Estudos Macroeconômicos do Banco Central da Espanha:

“Ele deu início a uma promissora linha de pesquisa, que consideramos a mais adequada para desenvolver um sistema de alerta contra crises”.

Visite a página na internet de Chauvet aqui: http://sites.google.com/site/marcellechauvet/

A nossa Universidade produziu grandes profissionais como esses, e tantos outros, quando fomos submetidos à ciência e não ao proselitismo. Quando fomos submetidos a “um método de análise, no qual a pluralidade cultural e a paixão pela pesquisa não ficam submersos na ideologia” (FHC). E é assim que deve ser!

Mateus Lôbo é estudante do Instituto de Ciência Política – UnB e como membro da Aliança pela Liberdade foi eleito representante discente para o Conselho Superior (Consuni), UnB.



segunda-feira, 4 de julho de 2011

UnB: A Natalie Lamour das universidades brasileiras, até quando?


*Por Mateus Lôbo

Semana passada fez quatro anos que eu entrei nesta Universidade; poderia ter entrado há seis meses e, certamente, teria a mesma impressão que tive em 2007. Qual seja: meu esforço pessoal e familiar de longos anos dera certo e agora eu estava numa das melhores instituições de ensino superior do meu país.

Todavia, semestre após semestre percebi que esse sonho chamado Universidade de Brasília poderia, muita vezes, ser um pesadelo, mas assim é a vida. Ora calma, ora turva. Entretanto, quando a turvação é permanentemente superior a calmaria, algo está errado.

E assim atualmente a UnB é, muito mais escuridão que clareza, muitas perdas e poucas glórias, um ambiente continuamente nublado. Quais as raízes disso?

Elas não estão, por certo, na queda do ex-Magnífico Reitor Timothy Mulholland. Até porque os timotistas de outrora, são os geraldistas de agora. E assim que deve ser, afinal a Universidade não é um palanque e o que basta a ela são administradores eficientes, com compromisso ético e acadêmico.

Então, novamente, quais raízes de nossa permanente perturbação? Sinceramente, não sei. Contudo, sei, muito pouco tem sido feito para acalmá - la. E assim de uma Universidade destacada caminhamos à insignificância. É-nos honroso estar fora do ranking das dez melhores Universidades do país? Qual o orçamento da Universidade Federal de Itajubá e qual é o nosso?

Hoje somos a Natalie Lamour, personagem ex-bbb da novela das 9, das universidades brasileiras: muito escândalo e pouco conteúdo. Embora a nossa atual Administração Superior tenha grande responsabilidade nisso, o restante da comunidade acadêmica também tem. Não chegamos por acaso à mediocridade; nós a elegemos.

Mobilizamos-nos contra cortes salariais, mas por que não há união, com a mesma intensidade, pela universidade? Talvez seja por medo ou pelo silêncio desdenhoso.

E assim em algum instante permitimos que colegas de departamento fossem juízes de outros colegas, que de professores respeitados foram a racistas indecorosos. Em algum momento nos furtamos a chamar o certo de certo e o errado de errado. Eximimo-nos de dizer que o universitário não tem uma moral superior e nem tudo lhe é concedido.

Em algum instante fizemos um elogio ao proselitismo e, assim, esquecemos que não há revolução sem estudo, não há revolução sem preparo de aula, não há revolução com picaretagem. Por várias vezes chamamos as sucessivas usurpações de espaços da Universidade de ocupações. Espaços da Universidade são privatizados, invadidos e tudo ainda parece se passar como num sonho, senhores?

Os conceitos forem invertidos e com eles o espírito da Universidade também. Atualmente o que somos? A Universidade dos pelados? A Universidade das invasões? Uma boca de fumo? Uma Universidade Achada na Rua?

As respostas para essas perguntas talvez tenham passado, se por conseguinte a inundação de Abril sobre a UnB apenas foi o grand finale de um belo navio há muito à deriva. Não chegamos ao high, mas chegamos ao fundo do oceano e ainda saimos na revista Veja. Bye, bye, Natalie Lamour!

O conteúdo deste texto é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião da Aliança pela Liberdade.

*Mateus Lôbo é estudante do 8º semestre de Ciência Política e representante discente no Conselho Superior Universitário (Consuni) da Universidade de Brasília.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

NÃO FAZEMOS POLÍTICA COMO NOSSOS PAIS - Uma crítica à reportagem de capa da Revista Darcy




*Por Felipe de Oliveira

A reportagem de capa da edição n.º 6 da Revista Darcy, intitulada “Não fazemos política como nossos pais”, trata da situação atual do movimento estudantil a partir de uma tese de doutorado que analisou o Movimento Passe Livre, de autoria da socióloga Adriana Saraiva, e das mobilizações de ocupação da Reitoria da UnB, em 2008, e do Fora Arruda, em 2009.

A primeira palavra com a qual poderíamos classificar a matéria após uma primeira leitura é “tendenciosa”. Entretanto, a análise de alguns pontos da reportagem, uma vez feita de maneira mais criteriosa e atenta, indica que chamar a matéria de tendenciosa toma ares de elogio benevolente, cheio de inocência. É tão grande o desfile de exageros, distorções e desinformação que chega a ser difícil a tarefa a que me proponho nesta crítica, qual seja, a de esclarecer o teor da gororoba sensacionalista publicada na revista.


Para tornar a tarefa mais fácil, tomei a liberdade (e o cuidado) de extrair os pontos-chave da matéria e analisá-los um a um.


1. Apartidarismo do movimento estudantil

A defesa da tese de que o “novo” movimento estudantil/juvenil é apartidário ou é ingênua, ou é mal-intencionada. As próprias fotos utilizadas na reportagem, sobretudo as que retratam a mobilização contra o então governador Arruda, servem de evidência contra essa ideia: não são poucas as pessoas vestindo camisetas ou empunhando bandeiras de partidos políticos.

Em uma das fotos, na página 14, é possível ver que a garota cercada pela polícia veste uma camiseta da AJR, a ala juvenil do Partido da Causa Operária (PCO). Aliás, a própria escolha das fotos contribui para o caráter sensacionalista da reportagem. Através delas, constrói-se uma imagem heróica, quase aos moldes bíblicos, dos estudantes mobilizados: eles são Davi enfrentando, corajosa e messianicamente, o gigante Golias.

Ao invés de apartidarismo, o que se observa é o caráter multipartidário da mobilização, onde a presença de partidos políticos de esquerda – PT, PSTU, PSOL, PCO e PC do B, principalmente – é intensa. Ainda que multipartidário, a mobilização possuiu um único espírito ideológico, o de Esquerda, com proeminência do discurso socialista e suaves nuances anarquistas. Ao contrário do que advoga a reportagem, o movimento estudantil de hoje nunca esteve tão próximo das ebulições conhecidas como Maio de 1968.


2. Não-institucionalização e autonomismo

Compreendendo não-institucionalização como a ausência de grupos organizados de maneira mais formal – com algum grau de hierarquização (divisão de tarefas) e burocratização (organização de comissões, grupos de trabalho e coordenação de tarefas) – em torno de demandas específicas, a experiência das mobilizações da invasão da Reitoria da UnB e do Fora Arruda não apresentou essa característica. A estruturação desses movimentos teve forte orientação adhocrática, significando que, longe de representar autonomismo, foi possível notar níveis de hierarquização e um primário formalismo burocrático, que explico a seguir.


a. Hierarquização

A despeito da heterogeneidade presente nas duas mobilizações, as constantes reuniões e assembléias deixavam claro que havia lideranças conduzindo o processo. Essas lideranças não possuíam proeminência formal (ou, em termos weberianos, não eram estabelecidas num processo de dominação racional-legal), mas se faziam presentes através de um mandato informal balizado por seu vanguardismo intelectual: eram as pessoas mais articuladas, aquelas a quem mais se recorria ao longo das mobilizações, consultadas a todo instante pela maioria dos participantes.

Curiosamente, essa cúpula intelectual de ambos os movimentos era formada justamente por representantes de partidos e grupos políticos específicos. O caso da invasão à Reitoria é emblemático: a tutoria da mobilização era efetuada por integrantes de grupos como a Rede Estudantil Classista e Combativa (RECC), do Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR) e da então gestão do Diretório Central dos Estudantes (DCE) – que possuía fortes ligações com o PSTU e o PSOL.


b. Formalismo burocrático

Como aponta o pequeno relato da estudante Mel Gallo sobre a invasão do prédio da Câmara Legislativa feita pelo movimento Fora Arruda, a mobilização foi organizada com base em princípios burocráticos mínimos. A divisão do grupo em comissões e a condução de votações em assembléia mostram isso de modo evidente. Aliás, essa burocratização incipiente foi apontada pela própria estudante como essencial para a conquista do apoio de organizações de caráter institucional, como sindicatos e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Nesse sentido, a tese de que ambas as mobilizações tiveram caráter autonomista fica bastante enfraquecida. Autonomismo implica interações sinérgicas e espontâneas entre os indivíduos de maneira não-formal e não-institucional, o que, como explicado, não ocorreu. Ademais, a afirmação de que a cultura autonomista é sinônimo de “respeito às diferenças e lutas de cada um” não poderia ser mais distorcida. A tolerância e o respeito são valores que independem do grau de burocratização e de hierarquização da organização de grupos políticos. Afinal, a própria Constituição Federal de 1988 estabelece esses dois valores como fundamentais à organização democrática do Estado brasileiro – que, por óbvio, nada possui de autonomista.


3. A importância da mobilização estudantil na queda de Arruda

“José Roberto Arruda provavelmente não teria renunciado se não fosse a organização da juventude brasiliense” (p. 14). O absurdo embutido nessa sentença beira o vergonhoso. Laurear a mobilização juvenil como crucial e decisiva na queda do ex-governador Arruma é uma atitude míope. Não se pode desconsiderar nessa análise a pressão de diversos outros grupos e organizações – partidos, sindicatos, associações, grupos de interesse –, bem como o papel da imprensa ao dar ampla publicidade a todo o esquema de corrupção instalado no governo Arruda. É inegável a importância da mobilização estudantil/juvenil nesse contexto, bem como a sua legitimidade – afinal, manifestar-se contra a corrupção e exigir que os culpados sejam punidos de maneira exemplar é algo essencial em qualquer democracia –, mas não é possível apontá-la como o fator preponderante para a renúncia do ex-governador. Advogar essa ideia é tratar toda a questão de maneira muito simplista.


4. Mobilização estudantil e caso WikiLeaks

A reportagem lembra que, quando o WikiLeaks publicou na internet documentos confidenciais do governo dos Estados Unidos pela segunda vez, algumas empresas que financiavam o site retiraram seu apoio. Em represália, o grupo hacker Anonymous invadiu e derrubou os sistemas de informação dessas empresas, como a Mastercard e a Pay Pal, por algumas horas. Para a pesquisadora Adriana Saraiva, isso é evidência de que “a internet é um instrumento poderoso para a difusão de concepções políticas e de ativismo social”.

Não sei qual é a concepção de ativismo social que a pesquisadora possui e defende, mas invadir sites através da ação de hackers e derrubar sistemas de informação privados, prejudicando aqueles que dependem dessas ferramentas – tanto as organizações quanto seus clientes –, possui um nome bem específico: intolerância. Isso não apenas ilustra o caráter desrespeitoso e agressivo desse caso em particular, mas mostra que mobilizações em prol de causas ditas progressistas não raro recorrem a métodos de ação bastante autoritários – e, eventualmente, criminosos.

Esse caráter totalitário ficou bastante visível na mobilização LGBT ocorrida na UnB (referenciada na p. 15). Durante aquela manifestação, murais e paredes do prédio do Instituto Central de Ciências (ICC) foram pichados com frases de efeito e desenhos. Além disso, cartazes de divulgação de festas de alguns centros acadêmicos foram depredados – foram pintados com tinta preta e a eles colaram adesivos com os dizeres “não financie a homofobia”, “não financie o machismo” –, o que gerou prejuízo financeiro para os CAs que afixaram os cartazes. A mobilização da comunidade LGBT contra o preconceito e a violência é válida e necessária, mas ela perde completamente o foco quando recorre a esse tipo de comportamento. Nesse caso em particular, ficou claro que a defesa de uma causa deu lugar à imposição dessa causa, imposição essa que recorreu a comportamentos e atitudes completamente arbitrários e antidemocráticos. Em última instância, o que se pode observar foi a validação da velha ideia de que fins superiores justificam meios violentos.

As conclusões que se pode obter da reportagem são as de que juventude de hoje, no geral, é politicamente engajada; que as mobilizações estudantis/juvenis são puramente autonomistas; que o ex-governador Arruda só caiu por causa da mobilização dos jovens; que o movimento Fora Arruda originou-se da invasão à Reitoria da UnB, em 2008; e que a internet é ferramenta fundamental ao novo movimento estudantil/juvenil, que pode utilizá-la, inclusive, de maneiras bastante questionáveis. A luta contra a corrupção e o preconceito é de suma importância, mas ela não deve converter a liberdade de expressão em liberdade de agressão.

No fim das contas, a matéria se converteu em uma ode de louvor aos estudantes e jovens, atribuindo a eles importância e responsabilidades que, no fundo, são exageros desmesurados, com pouca ou nenhuma relação com a realidade objetiva dos fatos. Acredito que isso se deu muito mais por ingenuidade do que por má-fé ou falta de profissionalismo. Ainda assim, essa matéria transformou a Revista Darcy, que deveria ser um veículo de jornalismo científico e cultural, em uma peça de jornalismo raso, panfletário e extremamente parcial.


*Felipe de Oliveira é estudante de Administração na UnB e escreveu esta análise tendo por base reportagem disponível aqui:
http://www.revistadarcy.unb.br/wordpress/wp-content/uploads/2011/05/darcy06-integral.pdf

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Greve, de novo...

Os funcionários da UnB entraram de novo em greve.

Após negociações, ficou decidido que o HUB não será paralisado em áreas essenciais (que, aliás, já estavam em situação extremamente precária), mas até agora o RU e a BCE restam fechados.

A situação é complexa, mas é preciso de razoabilidade para admitirmos que serviços como o Restaurante Universitário e, principalmente, a Bilioteca são essenciais a vida universitária e não podem ser totalmente paralisados. A situação atual se torna especialmente insustentável quando se observa que boa parte dos funcionários da BCE são terceirizados, logo, não estão de greve.

Mais informações:

http://www.unb.br/noticias/unbagencia/unbagencia.php?id=5198

http://www.unb.br/noticias/unbagencia/unbagencia.php?id=5194

terça-feira, 31 de maio de 2011

Sem críticas, sem alardes, a UnB curvou-se aos totalitários da Liga Juvenil Comunista da China


(http://www.tarekshalaby.com/wp-content/uploads/2009/06/china-censorship-of-the-internet-cartoon_0.gif)

A UnB recebeu na quarta-feira passada, dia 25/05, a visita de uma comitiva da Liga Juvenil Comunista da China. A comitiva esteve na Universidade de Brasília com o objetivo de estreitar os laços entre os movimentos estudantis chinês e brasileiro, bem como aproximar as juventudes desses dois países. O DCE da UnB, bem como membros do movimento estudantil de outras instituições de ensino - como a Universidade Católica de Brasília -, estiveram na recepção à delegação chinesa.


A Liga Juvenil Comunista da China nasceu em 1920 sob o nome de Liga Juvenil Socialista da China. Em 1925, durante sua 3ª Conferência, mudou seu nome para Liga Juvenil Comunista da China - que foi alterado novamente em 1949, passando a se chamar Liga Juvenil da Nova Democracia Chinesa, retornando ao nome anterior em 1957. A Liga Juvenil Comunista da China é uma braço organizado do Partido Comunista Chinês cujo público-alvo são jovens entre 14 e 28 anos. Representações desse grupo são, por lei, obrigatórias em todas as instituições de ensino médio e superior do país. Seu primeiro-secretário - cargo atualmente ocupado por Lu Hao, que a Secom informou erroneamente ser Ministro da Juventude da China (afinal, tal ministério não existe naquele país) - integra o Comitê Central do Partido Comunista Chinês. Vê-se que, portanto, não se trata de um movimento de juventude ou uma organização civil independente.


A Secretaria de Comunicação (Secom) informou, em sua matéria sobre a visita, que "a Liga da Juventude Comunista da China desempenha um importante papel na organização social e doutrinária do país asiático". Mas o que isso significa? Melhor: o que seria, especificamente, "organização social e doutrinária"? Para explicarmos essa questão, teremos que recorrer a apontamentos muito breves da história recente da China.


Em 1949, Mao Tse-tung assumiu o governo chinês após uma revolução que solapou o poder do governo nacionalista de Chiang Kai-shek. Após o estabelecimento de uma série de medidas profundamente desastrosas - como o plano econômico Grande Salto para Frente, que causou uma crise alimentar responsável pela morte de 30 milhões de chineses entre os anos de 1958 e 1961 -, o governo comunista chinês começou a entrar em decadência.


Para impedir a perda de seu poder, Mao promoveu uma revolução dentro da revolução: a chamada Revolução Cultural de 1966. Essa nova revolução representou um endurecimento do regime: milhares estudantes foram presos, centenas de intelectuais foram executados sumariamente ou encarcerados em campos de concentração (carinhosamente chamados de centros de reeducação), a censura à imprensa foi aprofundada, dentre outras medidas que visavam, no todo, à "organização social e doutrinária" do país. Nesse mesmo ano, foi editado e lançado o Livro Vermelho, uma espécie de livro sagrado do comunismo chinês com os ensinamentos do Grande Timoneiro.

Após a morte de Mao Tse-tung, em 1976, o governo chinês foi assumido por Deng Xiaoping, que promoveu a abertura econômica da China e sua inserção no mercado global. Esse processo de abertura econômica não foi acompanhado por um processo de abertura política, mas propiciou a criação de mecanismos de fuga do intenso controle ideológico promovido pelo governo chinês sobre a população jovem. Mais de uma década depois, um dos resultados mais visíveis desse "efeito colateral" da abertura econômica da China foi visto no mundo inteiro: os protestos da Praça da Paz Celestial, em 1989. A repressão aos protestos - mais uma medida de "organização social e doutrinária" - resultou na morte de aproximadamente 4 mil pessoas.


A Liga Juvenil Comunista da China é, portanto, um órgão governamental direcionado ao controle ideológico da juventude chinesa - controle esse realizado através de instrumentos tanto de doutrinação e de sufocamento de possíveis dissidências. Assim sendo, o que significa efetivamente "organização social e doutrinária" na China? Perseguição política, patrulhamento ideológico, cerceamento das liberdades individuais, censura aos meios de comunicação e outras arbitrariedades cometidas pelo Estado comunista chinês.


Triste notar que: 1) este evento teve publicidade quase inexistente junto à comunidade; 2) o próprio DCE não consultou as bases sobre seu posiconamento; 3) qualquer grupo discordante ficou, assim, impedido de se manifestar. Novamente suprimi-se a pluralidade política da comunidade acadêmica para dar lugar às preferências políticas dos membros do Diretório (ou seria Politburo?). Dessa forma, o DCE da UnB demonstra, no mínimo, fortes afinidades ideológicas com (ou total apoio a) o projeto político totalitário representado pela Liga Juvenil Comunista da China - assim como ocorreu com a quase-visita do presidente venezuelano Hugo Chávez, líder de um dos governos com inegáveis características ditatoriais. E, em se tratando de uma organização estudantil que se diz defensora dos interesses dos estudantes e dos princípios democráticos, a contradição é tão gritante que chega a ser embaraçosa.


Este texto teve por base a matéria da Secom acessível por este link: http://www.unb.br/noticias/unbagencia/unbagencia.php?id=5126, e foi escrito por Felipe de Oliveira, estudante de Administração na UnB e novo membro da Aliança pela Liberdade.

sábado, 28 de maio de 2011

Aliança pelos Happy Hours!

Aliança pela Liberdade impede que happy hours sejam proibidos de fazer publicidade

Na reunião do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE) de quinta-feira passada (26/5), os professores e estudantes que compõem o conselho discutiram, dentre outros temas, a minuta para consulta pública que estabelece as diretrizes de convivência da comunidade universitária.

O documento, que ainda será avaliado pelo CONSUNI, estabelece regulamentações que permitam "assegurar as condições necessárias para o desenvolvimento das diversas atividades da Comunidade Universitária". Por exemplo, define-se de forma clara qual o tipo de trote que é considerado passível de sanções.

Porém, alguns problemas foram verificados no mesmo, que envolvem desde correção de linguagem até questões ligadas ao conteúdo. Os conselheiros discentes Davi Brito e Kaio Felipe, membros da Aliança pela Liberdade, perceberam que o documento proibia eventos de médio porte (categoria na qual se incluem os happy hours) de serem divulgados:

"IV) eventos de médio porte são definidos pelas seguintes condições:

a) são voltados à comunidade universitária, sendo vedado publicidade em meios de comunicação de qualquer tipo e venda de ingressos; (...)"

Se tal regra fosse ser levada à risca, os CAs que realizam happy hours estariam proibidos de utilizar cartazes e até a internet (p.ex., redes sociais como o Twitter) para fazer propaganda. Além disso, não há por que impedir os HHs de serem publicizados em rádios ou outros meios de comunicação de massa. Diante disso, o conselheiro Kaio Felipe sugeriu a seguinte alteração:

"a) são voltados à comunidade universitária, sendo vedada a venda de ingressos; (...)"

Os demais conselheiros - inclusive os representantes do DCE - não viram nenhum problema na alteração, e a apoiaram.

Imaginem se esse parágrafo passa batido? As festas de médio porte que os Centros Acadêmicos promovem (que, além da confraternização, ajudam os CAs a financiarem a realização de outras atividades) que se utilizassem de qualquer mídia (inclusive virtual) estariam na ilegalidade!

A Aliança pela Liberdade, mais uma vez, procurou defender os direitos dos estudantes diante dos absurdos que a burocracia universitária pode produzir!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Restaurante Universitário: Quando comer torna-se um ato de bravura


*Por Mateus Lôbo

Não é novidade que o nosso Restaurante Universitário está cada vez mais precário. Embora tenha passado por ampla reforma em 2010, é exorbitante o número de vezes que o mesmo restaurante foi fechado desde então por problemas na já lendária caldeira. Alguns dizem que ela pode explodir a qualquer momento.

Amanhã e sábado será a próxima vez que o R.U. fechará para reparos na bendita caldeira. Ao abrir-se o site do Restaurante lê-se:

Comunicamos que nos dias 20 e 21 de maio o Restaurante Universitário de Brasília estará fechado, pois haverá uma reforma na Caldeira.

Além disso, é gritante a má conservação do ambiente do restaurante e, sobretudo, a má higienização dos pratos disponibilizados para o usuário. Ontem, por exemplo, fui brindado com um prato "limpo" contendo restos de laranja e um segundo com restos de vegetais.

Assim, juntando o sujo com a estrutura precária do R.U., eu e meus colegas desta Aliança pela Liberdade protocolamos hoje na UnB o documento abaixo. Agora é esperar uma resposta dos reclamados.




Brasília, 19 de maio de 2011.


Magnífico Reitor José Geraldo de Souza Júnior,

Vossa Senhoria Decano de Assuntos Comunitários,

Prezada Diretora do Restaurante Universitário da Universidade de Brasília,


Desde o início deste semestre é notável aos usuários do R.U. a má higienização dos pratos disponibilizados para a realização de refeições e a constante ausência de guardanapos, em franco desrespeito às normas da Vigilância Sanitária.
Reiteradas vezes em pratos ainda não utilizados encontrei restos de comida. Ontem, por exemplo, encontrei restos de laranja em um prato e, em outro, restos de vegetais. Estando no refeitório 1, dirigi-me à nutricionista-estagiária presente ao local e registrei o fato.

Ademais, para o meu espanto, funcionários do R.U (enquanto eu registrava ter encontrado restos de alimentos em pratos "limpos") me disseram que isto vêm ocorrendo, pois lavam diariamente à mão mais de 1000 pratos, quando estes deveriam ser lavados por uma máquina.

Pergunto ao senhores: Este Restaurante, ao oferecer aos seus usuários pratos sujos à sua alimentação, obedece às regras da Vigilância Sanitária?
É procedente a informação que parte dos pratos disponibilizados ao usuário do R.U. são lavados à mão? Isso obedece às regras da Vigilância Sanitária?

Ademais, ao usuário do R.U, além de pratos sujos, é reservada também a espera freqüente por mais de 40 minutos em filas antes de realizar suas refeições. Não obstante, há dois refeitórios habitualmente fechados no último andar do Restaurante. Por que, mesmo após a ampla reforma que esse R.U. passou durante o ano anterior, ainda contamos com refeitórios fechados em uma Universidade que se expande anualmente?

Ressalto, também, que desde o ano passado o R.U. não conta com um sistema de catracas eletrônicas e tampouco com um sistema, outrora vigente, que possibilite a recarga antecipada de créditos nas carteirinhas. Por quê? Se o sistema era vigente até 2009, por que não o é mais?

Finalmente, no último dia 10 de maio a comunidade universitária da Universidade de Brasília foi surpreendida por um R.U. de portas fechadas. Como noticiou a UnBsecom, isso se deveu, novamente, ao atraso no pagamento dos funcionários do restaurante. Por quê? O que a diretoria deste Restaurante e, principalmente, a Administração Superior fez e tem feito para que o R.U. não feche mais as portas devido ao não-pagamento de seus funcionários?

Aguardo um posicionamento oficial dos reclamados e alerto, se não forem tomadas medidas públicas para regularizar a higiene do Restaurante, acionarei a Vigilância Sanitária.

Respeitosamente,

Mateus Lôbo de Aquino Moura e Silva,
Conselheiro discente no Conselho Superior Universitário (CONSUNI).


Subscrevem este documento:

Alexandre Neves,
Conselheiro discente no Conselho de Administração (CAD).

Davi Rodrigues Brito,
Conselheiro discente no Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE).

Kaio Felipe Mendes de Oliveira Santos
Conselheiro discente no Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE).

Rodrigo Lyra,
Conselheiro discente no Conselho Superior Universitário (CONSUNI).

sexta-feira, 6 de maio de 2011

H.U.B de quem é esse hospital?



O
Hospital Universitário de Brasília é a área que oferece a maior quantidade de créditos dentro da universidade. Um local onde os três pilares da academia - o ensino, a pesquisa e a extensão – se unem sob um mesmo teto. Entretanto, a sub-utilização do hospital é um dos maiores desperdícios praticados dentro da UnB. Capaz de abarcar quase todos os cursos da universidade, o HUB fica quase restrito às áreas da saúde. O curso de comunicação social poderia atuar dentro do hospital na formulação de campanhas, o curso de administração poderia criar estágios na área financeira, a psicologia poderia atuar de forma mais incisiva no acompanhamento e tratamento de pacientes e familiares, a física e as engenharias atuando na melhoria e manutenção de equipamentos de ponta, a arquitetura na melhoria da alocação de espaços e todas as infindáveis possibilidades que podem surgir da VONTADE.

Enfim, o HUB deve ser um espaço pelo qual todo e qualquer estudante da UnB deveria lutar, pois é ali que estão grandes oportunidades tanto para o crescimento profissional, quanto o pessoal. O hospital é um espaço tão seu quanto de qualquer médico ou paciente!

Cabe a cada estudante perceber que a vontade de desenvolver projetos acadêmicos e profissionais está ao alcance de suas mãos e que o espaço para fazer isso já existe. Não será o reitor que lutará por uma inclusão do seu curso dentro do HUB e certamente não será seu professor que o fará.

Lute pelo seu direito de ter uma formação melhor!

H.U.B o que está acontecendo?

Nos últimos dias verificou-se uma crescente mobilização dos estudantes da faculdade de saúde em prol do Hospital Universitário. As assembléias estudantis se acumularam na última semana do mês de abril para expor os graves problemas que a instituição vem sofrendo. Debates, propostas e encaminhamentos foram discutidos e a decisão foi unânime: Paralização dos estudantes da FS no dia 03/05. Foi o que se viu na última terça-feira.

Os problemas do HUB são emergenciais, embora a sua resolução se arraste ao longo de quase três anos. É o que se vê em relação ao pronto-socorro (fechado há três anos sem previsão REAL de reabertura).

Durante os últimos 3 semestres, vários setores do hospital ameaçaram ruir sob o peso das péssimas condições de trabalho e atendimento. Foi o caso da Gineco-Obstetrícia, da Pediatria e da Pneumologia. No último mês, a Cardiologia, Neurologia, Cirurgia e Clínica Médica tiveram que literamente fechar as portas.

Todas as internações foram suspensas por falta de insumos básicos como gaze, luvas, alcool e linha para sutura. As pessoas deixaram de ser operadas porque não haveria fio para “fechar o paciente”. Outras áreas como a farmácia-escola, a odontoclínica, enfermaria e projetos da nutrição também foram extremamente prejudicadas devido à negligência administrativa da reitoria e da direção do hospital.

A recente crise foi desencadeda, especificamente, pelo fechamento da Cirurgia e da Clínica Médica. Sem qualquer uma das duas áreas é IMPOSSÍVEL formar um profissional da saúde que tenha a mínima capacidade de atender um paciente. O Hospital Universitário se transformou em Ambulatório Universitário (uma das poucas áreas que ainda restam em pleno funcionamento).

Uma das causas da falta de insumos, equipamentos e profissionais é a verba insuficiente que chega ao hospital. Existem três “fontes” de renda que suprem o hospital : A UnB, o MEC e o Ministério da Saúde (MS). Cada um dos três orgãos tem uma participação específica no orçamento de materiais e profissionais contratados. Ocorre, porém que existe uma parcela significativa de funcionários que não é contratada pelo HUB (no sistema CLT), nem é terceirizada. São médicos, plantonistas, faixineiros, vigias e várias outras pessoas que prestam serviços essenciais ao hospital.

Esses funcionários têm contratos denominados de “precarizados” e correspondem à folha SICAP de pagamento no valor de 700 mil reais por mês. Esses funcionários não são de “responsabilidade” contratual de nem uma das três fontes, uma vez que atuam como pessoas jurídicas autônomas. Entretanto, elas devem ser pagas por alguém. Aí começa o problema : O HUB tem que literamente DESVIAR o dinheiro que o MS fornece para os insumos, no intuito de manter o quadro minímo de funcionários.

O MEC havia se comprometido em repassar 1,2 milhão de reais para o HUB como forma de pagar a folha SICAP (700 mil) e iniciar o abate de uma crescente dívida com fornecedores (500 mil/mês). Esse repasse deveria durar de janeiro/10 até fevereiro/11, totalizando 14 meses de repasse. Entretanto, em julho/10 esse repasse cessou e, obviamente, as dívidas começaram a se acumular. Daí veio o DESVIO da verba do MS.

Além do insuficiente aporte de verba pública, e talvez esse sim seja um ponto mais relevante, as várias gestões do HUB têm se mostrado incompetentes ao longo de vários anos. A inabilidade de licitar uma obra para o pronto-socorro é o marco mais evidente da incompetência. Há também casos em que a compra de materiais básicos foi feita sem observação dos melhores preços (caso das unidades de hemodiálise compradas a um preço mais de 80% acima do comprado por outros HU`s). A odontoclínica não possui nem mesmo sugadores para atender os seus pacientes e na farmácia-escola faltam não só medicamentos como a estrutura mínima para manipulá-los.

Diante de todos os problemas aqui expostos e outros mais que poderiam encher várias páginas, foi que os estudantes da Faculdade de Saúde iniciaram mais um protesto contra a gestão do HUB e contra a forma pela qual a reitoria se esquivava da responsabilidade de “adotar”, de fato, o hospital. As principais reivindicações entregues à reitoria foram a responsabilização pelo pagamento da folha SICAP (em caráter emergencial), a convocação de concursos públicos para suprir a carência de profissionais e também para regularizar a situação dos precarizados, a mudança no modelo de gestão do hospital e um aumento no aporte de verbas para o hospital.

Em uma histórica assembléia com a reitoria e decanos, os aproximadamente 300 estudantes sentaram no chão e debateram pontos de pauta no pátio externo do prédio da sede da administração da UnB . Em um claro momento de democracia participativa, os estudantes puderam fazer perguntas e prospotas diretamente aos responsáveis pela universidade. A maior conquista foi, sem dúvidas, poder escutar da equipe da reitoria que o HUB é de responsabilidade integral da UnB. As promessas de melhoria também vieram, mas, assim como essas, outras já foram ouvidas e nada foi modificado.

Resta continuar o movimento pelo HUB e pela saúde no DF.

Texto escrito à convite da Aliança Pela Liberdade por Igor Castro Carneiro, estudante do terceiro semestre da Faculdade de Medicina, Universidade de Brasília.

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