terça-feira, 30 de março de 2010

Sobre estupro, violência e oportunismo

Notícia veiculada pelo portal da UnB:

Reitor responde às reivindicações das mulheres

Reitoria vai corrigir problemas de iluminação, segurança e transporte apresentados por grupo de alunas da UnB
Thais Antonio - Da Secretaria de Comunicação da UnB



O reitor, José Geraldo de Sousa Junior, propôs soluções para as reivindicações apresentadas pelo Coletivo Unificado de Mulheres da UnB. Em protesto realizado no dia 19, as integrantes da organização exigiram da Reitoria segurança e iluminação do campus e das vias de acesso à universidade, ampliação do horário do transporte noturno gratuito até a L2 Norte e políticas da UnB para mulheres.

As propostas da Reitoria incluem a criação de uma ouvidoria para tratar das denúncias de assédio moral, limpeza dos terrenos baldios ao redor da universidade, abertura de licitação para ampliar e corrigir a iluminação no campus e ampliação do horário e trajeto do transporte coletivo noturno. O documento afirma também o compromisso da Reitoria em garantir o cumprimento da cota de 20% da ocupação dos cargos de vigilante da UnB por integrantes do sexo feminino, além da criação de um grupo de trabalho para elaborar o projeto de fundação de um Centro de Referência para Mulheres na universidade.

“A gente recebeu uma resposta da reitoria para cada um dos pontos do manifesto e vamos avaliar, afirma Joyce Holland, aluna do 7º semestre de Tradução-Francês e integrante do Coletivo. O reitor declarou às estudantes que "o documento será sempre insuficiente em relação aos problemas. "Mas é o que a gente pode fazer”, justificou.

Apresentadas em protesto contra o estupro de uma aluna do curso de Letras no dia 15, as reivindicações foram analisadas e discutidas em um grupo de trabalho formado pela Reitoria. “Nós não estamos entregando apenas as respostas das questões levantadas por vocês, mas uma série de documentos que mostram o encaminhamento de cada questão”, explicou às estudantes a decana de Assuntos Comunitários, Rachel Nunes.

A decana afirmou que a solução para a maioria das reivindicações apresentadas pelo coletivo já estava em curso. “As questões são relevantes e refletem a preocupação cotidiana do reitor e da universidade”, comentou.

Na plateia de alunas que recebeu o documento da Reitoria, havia apenas um representante do sexo masculino. Rafael Gontijo, estudante do 3º semestre de Comunicação Social, foi à reunião por curiosidade, mas ressaltou seu apoio às reivindicações do Coletivo de Mulheres. “Eu apoio as causas apresentadas. Acho que a questão feminina é uma emergência”, disse.

EXIGÊNCIAS E PROPOSTAS

Limpeza de descampados e iluminação efetiva de todos os campi da UnB e vias de acesso
Resposta da UnB: Foi enviado um ofício à administradora regional de Brasília pedindo a limpeza do terreno em que ocorreu o estupro. Quanto à iluminação, a Reitoria afirma que a Prefeitura do Campus tem realizado adequação no sistema existente e que foi aberta, em 24 de março, licitação para execução de melhorias na rede.

Ocupação de 50% dos cargos de segurança da universidade por mulheres
Resposta da UnB: Os contratos com as empresas responsáveis pela vigilância e portarias prevê que 20% das vagas sejam ocupadas por mulheres. A Reitoria assumiu o compromisso de observar o cumprimento da previsão.

Ausência de canal para denúncia dos casos de assédio moral de mulheres na universidade
Resposta da UnB: A Reitoria vai criar uma ouvidoria para esses casos.

Ampliação dos horários do transporte gratuito interno
Resposta da UnB: A Reitoria acatou a sugestão de horários do manifesto e aguarda resposta do Transporte Urbano do Distrito Federal para incluir no percurso a parada de ônibus do HUB.

Criação de um centro de referência das mulheres
Resposta da UnB: A UnB vai constituir um grupo de trabalho para elaborar projeto de criação de Centro de Referência para as mulheres, sob a coordenação da professora Lourdes Bandeira, subsecretária da Secretaria de Políticas Públicas para a Mulher, do Governo Federal.

Construção e manutenção de creches vinculadas à UnB, estabelecidas em seus respectivos campi
Resposta da UnB: As servidoras da UnB têm direito a auxílio-creche. A universidade pretende expandir o auxílio para estudantes em vulnerabilidade social e econômica e está elaborando um Programa de Educação Infantil que deve passar a vigorar em 2011.

Licença maternidade

Resposta da UnB: A UnB cumpre a lei que prorroga a licença maternidade para seis meses.

Transparência em relação aos casos de estupro e de todos os tipos de violência contra a mulher praticados nos campi
Resposta da UnB: A universidade tem divulgado os casos de violência por meio da Secretaria de Comunicação, com o cuidado de não expor as vítimas.






COMENTÁRIO de Saulo Said, membro da Aliança:

Infelizmente, o caso do estupro da estudante de Letras vem sendo apropriado pelas feministas de carteirinha da UnB. Trataram de um problema de segurança pública como se fosse uma questão de gênero, o que mascararia o descaso com a violência contra a mulher e a ausência de políticas para mulheres e bobagens do gênero.

Se isso de alguma maneira conforta as representantes do belo sexo então eu afirmo: não existe um descaso específico com as mulheres quando o assunto é segurança. O descaso é geral, a começar pela ausência de policiamento no campus onde passam mais de 30.000 pessoas diariamente.

Como até os bandidos já perceberam, a UnB é uma anarquia. Como dissera John Locke, só existe liberdade onde existe a lei para por limites as liberdades individuais. E a lei, por sua vez, só tem poder de fato quando existem magistrados capazes de coibir o crime ou apanhar o infrator. Na ausência desse magistrado, reingressamos no estado de natureza. E o resultado disso é que covardes, como aquele que estuprou a estudante de Letras, se sentem seguros para cometer delitos.

A insegurança é geral, só os crimes e as vítimas é que variam. E quando falo de insegurança não me refiro apenas a estupros, sequestros, roubos e furtos. Eu já tive o desgosto de ver um protesto anti-semita na BCE,levado a cabo por anarquistas vestidos de preto e com pedaços de madeira nas mãos. Isso também é violência.

No mais, não existe essa de que só as mulheres é que sentem e lastimam crimes contra mulheres. Os maiores afetados pelo crime bárbaro ocorrido foram a moça (a vítima), logo seguida de seus familiares e amigos. De resto, qualquer ser-humano civilizado é capaz de se sensibilizar com o ocorrido. Não é o orgão genital que controla nossa capacidade de sofrer por atrocidades cometidas contra nossos semelhantes e sim nossos valores.

Para utilizar a linguagem leninista (uma gentil concessão que faço aos esquerdosos), o coletivo que exclui homens demonstra oportunismo. Aproveitaram a circunstância trágica para defender a tese do descaso da sociedade machista (ou patriarcal) em relação aos crimes cometidos contra a mulher. Como se nós homens não tivéssemos mães, amigas, tias, avós ou namoradas pelas quais sentimos afeto.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Aula-debate com Paulo Roberto de Almeida


O Professor e Diplomata Paulo Roberto de Almeida respondendo perguntas dos estudantes.

"É um fato que o Brasil melhorou bastante nos últimos anos, mas menos do que se pensa, ou se apregoa, e menos do que o necessário;

É minha opinião que o Brasil continua a padecer de graves disfunções estruturais e sistêmicas , em especial no terreno educacional, no âmbito institucional e até no plano psicológico (ou mental), o que o impede de reconhecer essas deficiências e de estabelecer um consenso em favor de um penoso, mas necessário processo de reformas estruturais e institucionais;"

sexta-feira, 19 de março de 2010

EVENTO COM NOVA DATA!

A Aliança pela Liberdade, com o apoio dos Centros Acadêmicos de Ciência Política, Direito, Economia e Relações Internacionais, convida para a Aula Debate a ser proferida pelo diplomata e professor Paulo Roberto de Almeida em torno do tema:

O Direito, a Política e a Economia das Relações Internacionais do Brasil: Uma abordagem não-convencional

a ser realizada no Auditório Joaquim Nabuco, no dia 22.03.2010, 10:00h,
com base nos argumentos do seguinte texto do autor:
“De la Démocratie au Brésil: Tocqueville de novo em missão”,
Está previsto tempo suficiente para debate, em seguida a breve exposição do palestrante.

O EVENTO OCORRERÁ MESMO DURANTE O PERÍODO DE GREVE. RESPEITAMOS E APOIAMOS A PARALIZAÇÃO DAS ATIVIDADES DE DOCENTES E SERVIDORES, MAS CREMOS QUE ATIVIDADES PARALELAS COMO ESTA FORTALECEM A IDÉIA DE MOBILIZAÇÃO E VALORIZAÇÃO DA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA.
--

sexta-feira, 12 de março de 2010

Evento cancelado

A Aula-debate com o Professor e Diplomata Paulo Roberto de Almeida foi cancelada em função da greve. Buscaremos uma data alternativa e em breve traremos novidades.

sexta-feira, 5 de março de 2010

O elogio da civilidade


No semestre que se inicia a Aliança pela Liberdade organizará uma série de palestras e debates a respeito de importantes temas, como a crise financeira internacional, a liberdade de expressão e o alcance da ação estatal no Brasil. Acreditamos que está nas bases de nossa vocação como grupo acadêmico-político a chamada para o debate e a reflexão de temas que ainda são tratados com timidez no espaço universitário.

Afinal, qual a missão da universidade? Insisto em proclamar que seja aproximar-se da verdade, sem dizer o que deve ser, sem prescrições de engenharia social, mas ao menos dizendo o que não é, para aproveitar lição do geneticista Sérgio Pena em sua recente participação na Audiência Pública das cotas raciais no STF. Há aqueles que dizem não existir a verdade, mas, citando uma velha lição "A is A. Existence exists".

Pois bem, começaremos essa busca com contribuição do ilustre diplomata e professor Paulo Roberto de Almeida (http://diplomatizzando.blogspot.com/) na manhã de segunda-feira 15 de março. Às 09:45h terá início aula-debate no Joaquim Nabuco (FA) com o professor sobre temas fundamentais de nossa estratégia nacional, passando por relações internacionais, política, economia e direito.

Mas qual a razão do título que encabeça este post? O evento que abre nosso ciclo de reflexões não se daria sem a valiosa contribuição dos Centros Acadêmicos de Direito, Ciência Política, Relações Internacionais e Economia. Por mais que em muitos casos sejam divergentes as percepções ideológicas dos membros da Aliança e das diretorias dos mencionados centros, encontramos não mais do que simpatia e colaboração por parte delas.

A civilidade não pode submeter-se aos falsos dilemas entre direita e esquerda.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Sejam bem vindos!

Gostaríamos de dar boas vindas a todos os novos alunos da nossa Universidade de Brasília. Certamente a chegada de vocês aqui representa um passo importante na vida de cada um, e coroa uma caminhada árdua repleta de estudos e esforço. O vestibular da UnB ainda é uma barreira intransponível para muitos, mas vocês a ultrapassaram. O mérito é todo de vocês, parabéns!

Agora vem a merecida recompensa por todas as horas de sono perdidas: estudar em uma das melhores universidades do país!, além de desfrutar das diversas oportunidades proporcionadas pela vida universitária. Cursos de excelência, palestras, conferências e congressos com convidados renomados, formação de qualidade e mestres magníficos. Isso só no lado acadêmico. A universidade, como vocês logo descobrirão, faz muito mais que ampliar nosso conhecimento. Também nos ajuda a crescer e amadurecer como pessoas, por meio das inúmeras experiências que nos proporciona, quer nos estudos, quer no convívio com outras pessoas e realidades as mais diversas.

E é impossível realmente aproveitar a universidade em tudo de bom que ela tem a nos oferecer se não houver Liberdade. Liberdade para ouvir, para aprender, para conhecer, para pensar. Liberdade para formular as próprias opiniões, expressar o próprio pensamento. Liberdade para escolher o próprio caminho!

Nós, da Aliança pela Liberdade parabenizamos nossos novos colegas, e desejamos a todos um ótimo semestre!


* texto adaptado de: www.thiagommatias.blogspot.com

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

CONSUNI

Desde a primeira convocação que recebemos (19/06) até aqui, os principais pontos de pauta foram (a ordem é cronológica):

1-Normatização do processo de escolha dos Representantes Titulares e Suplentes de Ex-alunos no CONSUNI.

Relator: José Geraldo de Sousa Junior.

2-Projeto acadêmico do Curso de Bacharelado em Museologia do Departamento de Ciência da Informação e Documentação.

Relator: Nilson Francisquini Botelho.

3-2º Congresso Universitário (Estatuinte)

4-Plano Anual de Atividades – 2009 (ajustes), integrante do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) 2006-2010.

5-Proposta de constituição do Conselho Comunitário.

6-Critérios para credenciamento das Fundações de Apoio.

7-Aprovação do Regimento do CIFMC.

Relator: Estevão Chaves de Rezende Martins.

8-Credenciamento da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Hospital da Universidade de Brasília/FAHUB.

    Relator: David Renault da Silva.

9-PLOA – Orçamento e Plano Anual de Atividade 2010/PDI, Proposta de Orçamento Programa Interno 2010.

Relator: Pedro Murrieta

10-Títulos de Honoris Causa e Professor (a) Emérito(a).

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

O ano velho e nossos Conselhos

Queridas e queridos visitantes,

nos próximos dias faremos alguns posts sobre os principais temas discutidos nos Conselhos Superiores da UnB ao longo do ano que passou. CONSUNI, CAD e CEPE tiveram agendas cheias, para nossa alegria, e trataram de temas da maior relevância, como regras para recredenciamento das Fundações de Apoio e criação de nosso Conselho Comunitário.

Acompanhem o blog e vejam as informações de forma mais detalhada ao longo dos próximos dias.

Com o desejo de que todos tenham tido um Feliz Natal,

André Maia.
Presidente

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Manifestação, parte final.


Como prometido, e para encerrar o assunto, segue o que vi:

1-Cheguei na manifestação de quarta passada por volta de 11:20h. Até o momento da minha chegada a manifestação se mantinha ordeira, com os muito éticos do PT/CUT e amigos no carro de som bradando contra o GDF. Não apenas foi difícil ouvir todo o cinismo de quem silenciou diante de ou defendeu um dos mais escandalosos casos de corrupção de nossa história: mensalão. Difícil também foi engolir que a gênese de todo o mal, de toda corrupção, era o capitalismo. Que não poderíamos esquecer que o governo que estava aí tinha um "projeto neoliberal" e mais cobras e lagartos. Enfim, é elevado o custo moral de participação em um evento em que você fica sob a bandeira dessa gente (tanto é que alguns órgãos de imprensa veicularam que a manifestação era organizada pela CUT).

Porém, mais do que difícil, verdadeiramente revoltante, foi ver uma faixa do PSOL ser tomada das mãos de alguns manifestantes e ser destruída por Ton-Ton MaCUTs. O que estava escrito? "Fora todos os mensalões. Fora mensalão do Lula e mensalão do Arruda." A indignação é tão seletiva quanto a tolerância.

2-O erro começou quando alguns manifestantes, em sua maioria estudantes, terminaram de tomar as pistas do Eixo Monumental no sentido CN-Rodoferroviária e bloquearam todo o trânsito, extrapolando o direito de manifestação e agredindo o direito de ir e vir dos motoristas. Ali mesmo a PM deveria ter feito algo, impedindo, sem brutalidade, que os estudantes tomassem todo o eixo.

3-A cavalaria se aproximou. Acredito ter ocorrido algum diálogo entre o comando e manifestantes e estes começaram a se retirar aos poucos quando, de repente, correram p/ o sentido oposto do Eixo, impedindo agora o tráfego na frente do TJDFT. A PM veio atrás, lentamente, alguns minutos depois.

4-Após um tempo impedindo o trânsito, creio que uns 20 min, ocorreu o primeiro ato por parte da PM que qualifico como descabido e impensado. Enquanto os manifestantes se retiravam p/ a grama, liberando o trânsito, a cavalaria passou a toda pela pista, quase ferindo algumas pessoas. A revolta e as vaias vieram como resposta. A cavalaria, novamente, passa cortando o eixo a toda, e quase acerta alguns manifestantes. Alguns objetos leves foram atirados contra a cavalaria em resposta, mas era coisa insignificante, como tampa de isopor. Aqui começa o descontrole.

5-Os manifestantes ficam revoltados e reocupam as faixas na frente do TJDFT. O BOPE é chamado e chega um tremendo aparato (dezenas de homens com balas de borracha, cães, Caveirão com jato d'água...). Como minha hora já chegava e não gosto de bala perdida, nem que seja de borracha, comecei a me retirar no sentido do Nilson Nelson. Foi aí que, quando já estava no estacionamento do Ginásio vi os manifestantes retornarem pro outro lado do Eixo, andando entre os carros (o tráfico estava pesado) e distribuindo adesivos. Ao que consta, iriam para a Rodoviária.

6-Foi então que a PM barbarizou com bombas de gás, balas de borracha e tocou os manifestantes de volta pra altura do Buriti na porrada. As cenas de descontrole estão bem documentadas.

7-Algo diferente poderia ter sido feito pela PM? E pelos manifestantes? Claro! Os dois lados erraram, mas me parece muito menos aceitável o erro da PM, que deveria ser mais profissional, mais bem preparada e que, claro, contava com poder de força, muito, muito superior.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Truculência, Burrice e Despreparo - Parte 2


O post que segue é um comentário feito po Saulo Said no post anterior. Tomei a liberdade de reproduzi-lo pela coerência e boa argumentação.

Existem alguns pontos sobre a onda de protestos contra o governador Arruda que precisam ser entendidos mais detalhadamente.


Em primeiro lugar considero que a situação é gravíssima e que são fortes as evidências de corrupção praticadas pelo governador e pelo alto escalão do executivo e por membros do legislativo.


Porém, será só contra corrupção que os manifestastes lutam? A cúpula do DCE da UnB que, como todos sabem, é petista, não se mobilizou com o mesmo ímpeto contra o escândalo do mensalão do PT. A corrupção é de fato um dos grandes desafios que a democracia brasileira precisa superar. Mas combater a corrupção é combatê-la onde quer que ela se manifeste e não apenas quando os envolvidos são de um partido opositor.


O mensalão do PT foi muito mais grave , pois envolvia a cúpula do partido em escândalos de financiamento ilícito de campanha, fraude em licitações com a SMP&B e a compra de parlamentares de oposição. Isso sem falar que o sr. Duda Mendonça, "marketeiro" da campanha de Lula recebeu dinheiro de caixa 2.


Mudando o objeto de análise (mas não de assunto), gostaria de tratar da crença messiânica dos manifestastes. Gritar "Fora Arruda" não resolve o problema e nem ajuda a resolver. Todos estão apressados em ver o ex-democratas fora do governo, mas o sadio funcionamento do processo democrático pressupõe apuração, acusação, defesa e julgamento.


Se tudo isso demora e os manifestastes não suportam esperar, isso mostra que eles estão comprometidos com uma democracia totalitária, onde não existe lei, liberdade ou Estado de Direito. Pensam que a simples vontade deve derrubar quaisquer procedimentos jurídicos (considerados lentos e burocráticos), esquecendo-se de que o mundo já experimentou os resultados desastrosos desse tipo de Democracia (vide totalitarismo).


A evidência de que o Governador, secretários e parlamentares infringiram a lei não dá aos manifestastes o direito de fazerem o mesmo. Trancar uma avenida é uma decisão séria que não cabe a um grupo de 1.600 pessoas. Protestar é um direito, mas não é um direito soberano que esmaga quaisquer outros direitos de outras pessoas.


E, para entrar no último assunto, gostaria de lembrar que a forma como os atuais protestos vem sendo conduzidos apenas sangram a imagem política de Arruda (o que é conveniente a certos partidos), muito embora pouco contribua para a sua saída. Um movimento contra a corrupção deveria encontrar alternativas para sanar o grave impasse político instalado no momento. Caberá a uma câmara legislativa composta por envolvidos no escândalo a tarefa de julgar a perda do mandato dos seus, do governador e do vice-governador. O que fazer diante do problema?


Usar a coerção para intimidação dos parlamentares, ou ocupar a Câmara legislativa não são soluções. A sociedade brasileira não é muito receptiva a esse tipo de radicalismo, ainda que concordem com a demanda. Caso os manifestastes encontrem uma solução jurídica para o problema, que tenha respaldo na legislação brasileira, ai sim conseguiríamos algum resultado. De posse de uma solução jurídica factível, poderíamos nos organizar para levá-la adiante.


Até o momento, o movimento "Fora Arruda" é apenas a manifestação de repúdio, cujos métodos de ação têm sem mostrada tão pouco republicanos quanto os dos envolvidos no escândalo de corrupção.


A polícia, por sua vez, foi truculenta , mas isso não significa que os manifestastes estejam certos. Ambos se excederam no gozo de suas prerrogativas. E se bem conheço os alunos da UnB, não duvido que muitos tenham insultado os policiais ou tenham se mantido parados diante do avanço da polícia. O sonho de ser um mártir, um perseguido, um oprimido é motivo de orgulho para muitos de nossos colegas. Confere a eles um sentido de viver, uma certa importância política e a glória pela "luta".

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Truculência, Burrice e Despreparo - Parte 1


A Aliança pela Liberdade decidiu em sua última reunião da Assembléia de Assuntos Gerais, instância máxima de nossa organização, manter-se fiel à idéia de não atuar ou manifestar-se em assuntos externos ao ambiente da Universidade de Brasília. Mesmo reconhecendo os impactos da crise política do Distrito Federal sobre assuntos de interesse de nossa universidade, achamos por bem não nos manifestarmos enquanto grupo estudantil da UnB a respeito do assunto.


Contudo, enfatizamos nossa preocupação e atuação enquanto indivíduos politicamente atuantes a respeito dos escândalos envolvendo membros dos três poderes no DF. É em consonância com a liberdade de manifestação e expressão assegurada por nossos princípios e em solidariedade aos colegas de UnB que sofreram flagrante violência por parte da Polícia Militar do Distrito Federal que reproduzo depoimento de uma colega e, posteriormente, manifesto minhas impressões a respeito da experiência que vivi na data de hoje.


André Maia

Presidente da Aliança pela Liberdade.


Depoimento de Jaciane Milanezi, estudante da UnB:

"Eu e uma colega da UNB seguimos às 10h para a manifestação contra a corrupção em frente ao Buriti. Vale sublinhar que foi uma manifestação organizada por todos e para todos: partidos, sindicatos, estudantes e cidadãos. Para todos que não toleram corrupção, que não toleram "quem rouba, mas faz"; para quem sabe que política é a discussão e a ação ao que é relacionado à sociedade e não ao interesse próprio.
Até às 11h30 estávamos todos na Praça do Buriti ouvindo discursos. Depois, com o objetivo de mostrar mesmo à população que é necessário se manifestar de alguma forma contra a corrupção, paramos o trânsito no sentido Buriti-JK.
Nesse momento, cartazes eram levantados, apitos eram ouvidos, coros eram feitos. Ou seja: o que se entende por uma manifestação política. A polícia, que cercava todo o Palácio do Buriti [sede do governo local], começou a redirecionar o trânsito. Até então, tudo tranquilo: cidadãos se manifestando e o trânsito sendo reorganizado. Vale mencionar, que os carros passavam buzinando e se manifestando contra a corrupção também.
Pouquíssimo tempo depois, tive a impressão de que a manifestão política foi confundida com banditismo, pois logo a Cavalaria da polícia se posicionou em torno da gente. Pergunta: pra quê isso contra uma manifestão política? Será que nosso governador corrupto deu ordem para dispersar a manifestão contra ele? O que fizemos? Apenas sentamos no chão e continuamos com nossos coros e cartazes.
Seguimos para o outro lado, sentido TJDFT-Parque. O que fizemos ao parar ao trânsito: coros, cartazes, apitasso. E os carros parados? Começaram a buzinar em protesto também. Logo a polícia redirecionou o trânsito e os carros puderam seguir. Só que a Cavalaria seguiu para o outro lado também e começou a amedrontar os manifestantes. Correram duas vezes com seus cavalos e seus cacetetes para quê?
Dispersar uma manifestação política que àquela altura não atrapalhava nem mais o trânsito?
Mas não bastava a Cavalaria. Precisava do BOPE. Alguns estudantes foram conversar com os policiais e esses solicitaram que deixássemos a pista em 10 minutos. Em que época se manifestar politicamente tem hora marcada pela Polícia? Decidimos sair e seguir em direção à Rodoviária pelo gramado. E o que fez o BOPE? Continuou cercando a todos, evitando que seguíssemos para a Rodoviária.
Não houve opção a não ser irmos para a pista, novamente no sentido Buriti-JK. Não chegamos a parar os carros. Ficamos circulando entre eles com os cartazes e os coros. Muitos carros diminuíram a velocidade, buzinaram, pegaram adesivos, etc.
Foi nesse momento que BOPE e a Cavalaria pararam o trânsito e, acho eu, acreditando estarem lidando com bandidos, começaram a vir para cima dos manifestantes com bombas e todo o arsenal. Um manifestante foi pego, machucado, levado para o gramado.
Alguns cinegrafistas da imprensa estavam bem próximos filmando toda essa cena e os policiais do BOPE começaram a bater neles e lançar bombas para que não conseguissem mais filmar. Eu estava atônita: o Estado, com o uso da força, impedindo a imprensa de narrar os fatos ao resto da sociedade! Que democracia é esta?
A relação entre a quantidade de policiais e a quantidade de manifestantes era tão desproporcional que eu me indagava o tempo todo: que instituições democráticas são essas que se utilizam da força em uma manifestação política? Por que não optaram em redirecionar o trânsito e assegurar a manifestação? Por que inibir a manifestação?
Meus queridos, não achem que apenas discutindo no elevador, no cafezinho, ao telefone, a corrupção irá acabar. Percebemos que o Arruda está se utilizando de toda a máquina pública, mesmo após os escândalos, a seu favor.
Ontem, muitas Administrações Regionais bancaram a ida de apoiadores à Câmara Legislativa. Hoje, todo o aparato policial contra um grupo de cidadãos. Ao mesmo tempo, os parlamentares corruptos abafam os pedidos de impeachment. O DEM, prefere aguardar. E vocês, vão aguardar o Natal para terem o que conversar na ceia: "Poxa! Você viu? E o Arruda, hein? Nada aconteceu de novo! Esse país! Não tem jeito mesmo!"
Não se esqueçam que um país é feito de pessoas, é construído na base das atitudes individuais e coletivas. Não aguardem apenas o momento das eleições para agir politicamente. A política é muito mais que isso: é o exercício diário em relação à tudo que é comum à sociedade!
Por isso, peço, mais uma vez. Na verdade, imploro: se manifestem! Coloquem um adesivo no carro, uma blusa, uma faixa na janela, saiam de branco amanhã, acompanhem não apenas pela mídia o que está acontecendo. Nenhuma dessas atitudes nos tirará da rotina e nem demandará tempo. Contudo, demonstrará que não somos um povo apático politicamente".

domingo, 29 de novembro de 2009

UNE é suspeita de ter fraudado convênios com Ministério da Cultura


Pelo menos nove acordos firmados com a entidade, no valor de R$ 2,9 milhões, estariam em situação irregular


Aliada do governo, a União Nacional dos Estudantes (UNE) fraudou convênios, forjou orçamentos e não prestou contas de recursos públicos recebidos nos últimos dois anos. A entidade chegou a apresentar documentos de uma empresa de segurança fantasma, com sede na Bahia, para conseguir aprovar um patrocínio para o encontro nacional em Brasília. Dados do Ministério da Cultura revelam que pelo menos nove convênios celebrados com a UNE, totalizando R$ 2,9 milhões, estão em situação irregular - a organização estudantil toma dinheiro público, mas não diz nem quanto gastou nem como gastou.


O Estado analisou dois convênios com prazo de prestação de contas expirado no ministério: o Congresso Nacional da UNE, realizado em julho, em Brasília, e o projeto Sempre Jovem e Sexagenária, celebrado em 2008, que tinha como meta produzir - até 4 de junho - 10 mil livros e um documentário sobre a história estudantil secundarista. O presidente da entidade, Augusto Chagas, de 27 anos, promete devolver o dinheiro, se forem comprovadas irregularidades.


Apesar de o governo ter repassado R$ 826 mil para os projetos, a entidade, mesmo cobrada, não entrega extratos bancários e notas fiscais, nem cumpre a "execução dos objetivos", os livros e o documentário. Sobre os livros, uma cláusula do contrato diz que a UNE teria 60 dias para prestar contas, a partir de junho, ou restituir em 30 dias as verbas não usadas. Não fez nem uma coisa nem outra.


EMPRESA FANTASMA


A UNE forjou orçamentos para obter dinheiro para o encontro em Brasília. Em 16 de julho, o ministério liberou R$ 342 mil para o evento, que teve a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). A entidade apresentou estimativa de gasto de R$ 70 mil com hospedagem, R$ 29 mil para segurança, R$ 26 mil em passagens aéreas, entre outros. O ministério cobrou três orçamentos.


Para explicar a despesa com segurança, a UNE entregou o orçamento de empresa fantasma, com sede em Salvador, a 1.400 quilômetros do evento. O outro orçamento também é de uma empresa baiana, que ocupa uma sala de 30 metros quadrados e não tem funcionários.


A empresa fantasma é a Patorg Segurança. Os documentos entregues pela UNE ao governo mostram que a empresa declarou à Receita Federal como endereço o sexto andar de um prédio na Avenida Estados Unidos, em Salvador. A reportagem esteve ali na quinta-feira. No local não há empresa de segurança. Os vizinhos desconhecem a Patorg. "Eu trabalho aqui há 19 anos e nunca teve esse tipo de empresa", disse o porteiro Valdir Alexandre dos Santos.A UNE anexou um orçamento de R$ 36,4 mil da Patorg. Seu dono, Genovaldo Costa, é desconhecido no endereço, vive em Camaçari e não foi localizado.


A outra empresa, a MG Serviços de Limpeza e Portaria, ocupa uma sala num pequeno sobrado na Baixa dos Sapateiros. A UNE entregou um orçamento de R$ 32,2 mil da empresa, que não tem funcionário registrado, mas fez uma proposta de 280 seguranças, por R$ 115 a diária. O Estado foi três vezes ao endereço, mas não havia ninguém. Pelo celular, o dono, Marcos Guimarães dos Santos, disse que já prestou serviços à UNE, mas não deu detalhes.


Como a entidade não entrega a sua prestação de contas, ainda é um mistério a relação de quem foi contratado. Sabe-se, porém, que a UNE usou fantasmas para aprovar o convênio.


Os R$ 435 mil do Sempre Jovem e Sexagenária foram liberados em 5 de junho de 2008. A UNE apresentou orçamento de R$ 90 mil com pesquisa, R$ 50 mil para alimentação e hospedagem, e R$ 35 mil para imprimir o livro. O governo enviou ofício em 18 de junho passado lembrando que o convênio está encerrado e cobrou informações. Cinco meses depois, a UNE não deu satisfação.


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