segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Jingle bel, jingle bel/ Acabou o papel/ Não faz mal, não faz mal/ Limpa com jornal?


Nos últimos dias a falta de papel higiênico na nossa Universidade passou dos limites. Em busca de repostas para este fato, por meio de um processo simples, protocolei na minha unidade acadêmica (IPOL) um pedido de explicações à Prefeitura do Campus.
Eis o meu pedido, primeiramente, ao Prefeito e em seguida a resposta dele:

Brasília, 21 de janeiro de 2011


Prezado Prefeito Prof. Paulo Cesar Marques da Silva,

Na manhã de hoje me dirigi a um banheiro no ICC-NORTE e me deparei com a completa ausência de papel higiênico neste. Fato que se repetiu em cerca de seis banheiros por todo o Minhocão, o que já vem ocorrendo há pelos duas semanas.

Em minha busca encontrei vários funcionários da limpeza, que ao serem perguntados sobre a falta de papel nos banheiros foram unânimes em me dizer que o fornecimento de papel aos banheiros estava suspenso e que eu deveria me dirigir a esta Prefeitura.

Desse modo, solicito ao senhor alguma explicação para completa e recorrente ausência de papel higiênico nos banheiros de uma instituição de ensino superior que se vangloria de uma comunidade universitária de mais 30 mil pessoas, e não obstante não lhes fornece serviços essenciais como papel higiênico em seus banheiros.

Finalmente, reivindico a imediata distribuição de papel em todos os banheiros da nossa Universidade sob o risco, em caso contrário, de um colapso nas condições de higiene deste ambiente universitário.


Respeitosamente,

Mateus Lôbo de Aquino Moura e Silva

Estudante do Instituto de Ciência Política e

Representante Discente no Conselho Universitário (CONSUNI) da Universidade de Brasília.


RESPOSTA DA PREFEITURA

Ao IPOL,

(A/C Mateus Lôbo A M. Silva)

Lamentos o ocorrido, que se deveu a uma descontinuidade nos procedimentos de compra da UnB. A Prefeitura só teve conhecimento dessa descontinuidade quando a falta de material no Almoxarifado Central já era iminente. Providenciamos a compra emergencial de papel higiênico para o abastecimento dos banheiros sob nossa administração o que será regularizado até o fim desta semana. Sabemos que as compras são lentas, mesmo quando são emergenciais, por isso consideramos grave a falha ocorrida no sistema de pregões. O Decanato de Administração está informado e iniciou um conjunto de mudanças administrativas com o objetivo de evitar que falhas do gênero voltem a ocorrer.


Em 26/01/11,

Paulo César M. Da Silva

Prefeito do Campus


Voltei

Ou seja, a compra de papel não foi realizada por problemas no sistema de pregão, mas, como garante nosso prefeito, o problema já foi resolvido. Caso você encontre alguma irregularidade nos serviços do campus não deixe de buscar as razões disso nos órgãos competentes da nossa Administração. Ou nos procure, pois o que está ao nosso alcance certamente buscamos resolver.

À propósito o e-mail e telefones da prefeitura são:

prefeitura@unb.br/ 3107-3378


Mateus Lôbo



domingo, 23 de janeiro de 2011

Relato da reunião do CEPE - 20/1

A reunião começou pontualmente às 15h, e não houve nenhum informe muito relevante. O conselheiro Jaime comentou algumas mudanças de conceito CAPES de cursos das Biológicas. Aprovou-se a ata da reunião anterior, com uma correção sugerida pelo prof. Brussi, sobre uma fala mal transcrita.
Os 4 primeiros pontos de pauta (indicação de professores) foram aprovados em bloco. O ponto 2 era o projeto político-pedagógico para a criação do curso de Química Tecnológica. Márcio pediu mais detalhes sobre a avaliação do curso por outras instâncias até chegar ao CEPE. Outra aprovação, com unanimidade.
Como as decanas Denise Bomtempo e Márcia Abrahão não estavam na reunião, a discussão de 2.7 (revogação da resolução CEPE n. 29/2006) ficou prejudicada; como não era pauta urgente, o vice-reitor julgou melhor adiá-la. O mesmo ocorreu com 2.8 (recurso contra decisão da direção da FAV sobre carga horária), pois a professora que fez tal recurso sequer está nos quadros da universidade; leciona agora pela UFRGS.
Por último, seguiu-se uma longa discussão (a partir das 15:55) sobre as "diretrizes para a convivência intrauniversitária", com foco na questão do trote. Reiterando o que já foi demonstrado pelo relato da SECOM, não houve reviravoltas ou coisas do gênero do horário em que saí em diante.
Rafael, autor da polêmica cartilha sobre o trote, veio. Formado em Ciência Política pela UnB, ele diz que estuda tal tema desde 2000, focado nos "processos institucionais" que envolve o trote. Foi uma argumentação incisiva, em que chegou a citar Bourdieu. Falou nas três dimensões do trote: psicológica, antropológica e sociológica, e chegou a relacionar o "desejo de tomar trote" com a expansão da universidade e a "ascensão de classes sociais".
A profª Rachel Nunes foi a próxima a falar, enfatizando a necessidade de se abolir . Quando chegou a vez de os conselheiros falarem, o prof. Nascimento (IPOL) foi o primeiro, e voltou a criticar a ampliação indevida do conceito de trote. Gunther (Psicologia) ironicamente pediu desculpas por fazer um comentário elitista: considerou Rafael pouco qualificado para preparar uma cartilha sobre o tema; este poderia ter evitado polêmicas desnecessárias. Também alertou para a imprecisão de termos, ao se confundir trote com humilhação. Também atentou para a incompetência, pois 3 das fotos da cartilha sobre o trote mostravam estudantes "troteados" rindo. Por fim, alegou que uma das coisas graves quanto ao trote é que se aprende que "qualquer coisa vale".
Camila, estudante de Medicina e representante do DCE, criticou estudantes que acham que "trote é algo necessário" ou "liberdade de expressão", quando ele não passa de coerção. Lembrou que CAs não promovem trote, mas sim os alunos de 2º semstre. Sugeriu campanha ampla e institucional de conscientização.
A professora Andréa Maranhão sentenciou que nenhum processo de cidadania "pega" sem punição. Lembrou que seu instituto, o IB, responsabiliza-se pela recepção dos ingressantes.
Kaio Felipe (Aliança pela Liberdade) após brevemente comentar as falas de alguns que me antecederam, ressaltei o "relativismo moral" causado pelo trote que Gunther citou, e disse estar de acordo com que a profª Andréa disse a respeito da necessidade de normas de convivência e punição, além do processo educativo. Alegou que, embora não seja contra a idéia em si do trote, seu problema é quando ele é feito nas dependências universitárias, patrimônio público. Se há consentimento dos próprios calouros em levar trote, que o façam, mas fora da UnB - em festas, p.ex.
Raul Cardozo (DCE) disse que não basta dar liberdade, mas que é preciso "humanizar" o trote. Reafirmou a importância de as unidades acadêmicas cooperarem com os CAs nessa questão.
Márcio, conselheiro da Aliança, citou o exemplo de seu curso (Relações Internacionais), em que os próprios calouros pressionaram os veteranos a fazer trote. Considerou nem sempre sustentável o discurso do "Aqueles que sabem mais oprimem os que sabem menos". Ironizou as constantes notícias da SECOM sobre o trote da Agronomia, pois os estudantes deste curso vêem isso como uma forma de "promovê-lo". Ele também criticou a generalização do termo "trote", dizendo que há cursos cujo trote é bem mais leve e moderado; em muitos casos, é inclusive voluntário.
O prof. Jaime reiterou que a questão é um problema institucional. Seguiram-se outras falas, mas não houve reviravoltas na reunião, e tal pauta será mantida para a próxima. Percebe-se que não foi tomado nenhum encaminhamento concreto, o que foi criticado até pelo colunista do UOL, Josias de Souza.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

A estatal dos Hospitais Universitários


De "O Globo":

Medida Provisória editada no último dia de gestão de Lula no cargo muda gestão de hospitais universitários


BRASÍLIA - Considerada prioridade de José Gomes Temporão quando era ministro da Saúde, a Fundação Estatal de Direito Privado não saiu do papel. Entretanto, no último dia de seu governo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou uma Medida Provisória com parte do projeto não aprovado de Temporão. A ideia do ex-ministro era centralizar e otimizar a administração de grandes hospitais públicos. A MP de Lula cria a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, mas para gerir apenas hospitais universitários.


No Congresso Nacional, o projeto de Temporão não andou por oposição de setores sindicalistas do PT. Agora a MP de 31 de dezembro aguarda aprovação no Congresso, que está de recesso, mas já é alvo de ataques. Para o presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Francisco Batista Júnior, a medida é inconstitucional e foi tomada no apagar das luzes, sem debate.

- Não tenho dúvida de que o DNA dessa empresa é o mesmo da fundação estatal, com um agravante: ela é uma sociedade anônima. Consequentemente, ela é submetida a todas as regras de uma empresa, com pagamento de impostos de todas as espécies e a possibilidade de inserção de outros atores na empresa - disse.

Pela MP, a empresa será ligada ao Ministério da Educação e terá inúmeras finalidades - como a prestação de serviços gratuitos de assistência médico-hospitalar e laboratorial às comunidades e o apoio à pesquisa e à formação de profissionais nas instituições federais de ensino. A medida abre o leque de ação da nova empresa ao estabelecer que ela pode "exercer outras atividades inerentes às suas finalidades", sem detalhar quais seriam essas atribuições.

Segundo informações do MEC, o principal objetivo é modernizar a gestão de recursos financeiros e unificar a forma de contratação de pessoal. Trabalham hoje nos 46 hospitais universitários brasileiros 70.373 servidores. A maioria, 59%, é formada por funcionários públicos ligados ao MEC, contratados pelo Regime Jurídico Único. Os demais são recrutados por fundações de apoio às universidades, sob diversos formatos legais: pelo regime celetista, por contratos de prestação de serviços e outros vínculos precários, muitas vezes irregulares.

Com a MP, todos os contratados serão vinculados à nova empresa. Os candidatos deverão ser aprovados em concurso público e trabalharão pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Quem já atua hoje nos hospitais universitários poderá migrar para a nova empresa.

Pela MP, a empresa será uma sociedade anônima de direito privado, com patrimônio próprio e capital integralmente da União. A nova estatal não será a primeira no modelo de sociedade anônima. No ano passado, Lula sancionou uma lei que autoriza a criação da Empresa Brasileira de Administração de Petróleo e Gás Natural S.A, a Pré-Sal Petróleo S.A.

Para os interessados em ler a MP na íntegra e o status de sua tramitação
: http://www.camara.gov.br/internet/sileg/Prop_Detalhe.asp?id=490386

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

J’ACUSE !!! (Eu acuso!)


Publico um formidável texto a respeito do homícidio do professor Kássio Gomes. De frases polêmicas, o autor levanta importante debate de e sobre valores que hoje prevalecem no sistema educacional brasileiro. Vale a leitura! Deixe sua opinião! Lembrando, o texto não necessariamente reflete as opiniões da Aliança pela Liberdade como um grupo.

(Tributo ao professor Kássio Vinícius Castro Gomes)

Mon devoir est de parler, je ne veux pas être complice.
Meu dever é falar, não quero ser cúmplice. (...) (Émile Zola)



Foi uma tragédia fartamente anunciada. Em milhares de casos, desrespeito. Em outros tantos, escárnio. Em Belo Horizonte, um estudante processa a escola e o professor que lhe deu notas baixas, alegando que teve danos morais ao ter que virar noites estudando para a prova subsequente. (Notem bem: o alegado “dano moral” do estudante foi ter que... estudar!).

A coisa não fica apenas por aí. Pelo Brasil afora, ameaças constantes. Ainda neste ano, uma professora brutalmente espancada por um aluno. O ápice desta escalada macabra não poderia ser outro.

O professor Kássio Vinícius Castro Gomes pagou com sua vida, com seu futuro, com o futuro de sua esposa e filhas, com as lágrimas eternas de sua mãe, pela irresponsabilidade que há muito vem tomando conta dos ambientes escolares.

Há uma lógica perversa por trás dessa asquerosa escalada. A promoção do desrespeito aos valores, ao bom senso, às regras de bem viver e à autoridade foi elevada a método de ensino e imperativo de convivência supostamente democrática.

No início, foi o maio de 68, em Paris: gritava-se nas ruas que “era proibido proibir”. Depois, a geração do “não bate, que traumatiza”. A coisa continuou: “Não reprove, que atrapalha”. Não dê provas difíceis, pois “temos que respeitar o perfil dos nossos alunos”. Aliás, “prova não prova nada”. Deixe o aluno “construir seu conhecimento.” Não vamos avaliar o aluno. Pensando bem, “é o aluno que vai avaliar o professor”. Afinal de contas, ele está pagando...

E como a estupidez humana não tem limite, a avacalhação geral epidêmica, travestida de “novo paradigma” (Irc!), prosseguiu a todo vapor, em vários setores: “o bandido é vítima da sociedade”, “temos que mudar ‘tudo isso que está aí’; “mais importante que ter conhecimento é ser ‘crítico’.”

Claro que a intelectualidade rasa de pedagogos de panfleto e burocratas carreiristas ganhou um imenso impulso com a mercantilização desabrida do ensino: agora, o discurso anti-disciplina é anabolizado pela lógica doentia e desonesta da paparicação ao aluno – cliente...

Estamos criando gerações em que uma parcela considerável de nossos cidadãos é composta de adultos mimados, despreparados para os problemas, decepções e desafios da vida, incapazes de lidar com conflitos e, pior, dotados de uma delirante certeza de que “o mundo lhes deve algo”.

Um desses jovens, revoltado com suas notas baixas, cravou uma faca com dezoito centímetros de lâmina, bem no coração de um professor. Tirou-lhe tudo o que tinha e tudo o que poderia vir a ter, sentir, amar.

Ao assassino, corretamente , deverão ser concedidos todos os direitos que a lei prevê: o direito ao tratamento humano, o direito à ampla defesa, o direito de não ser condenado em pena maior do que a prevista em lei. Tudo isso, e muito mais, fará parte do devido processo legal, que se iniciará com a denúncia, a ser apresentada pelo Ministério Público. A acusação penal ao autor do homicídio covarde virá do promotor de justiça. Mas, com a licença devida ao célebre texto de Emile Zola, EU ACUSO tantos outros que estão por trás do cabo da faca:

EU ACUSO a pedagogia ideologizada, que pretende relativizar tudo e todos, equiparando certo ao errado e vice-versa;

EU ACUSO os pseudo-intelectuais de panfleto, que romantizam a “revolta dos oprimidos”e justificam a violência por parte daqueles que se sentem vítimas;

EU ACUSO os burocratas da educação e suas cartilhas do politicamente correto, que impedem a escola de constar faltas graves no histórico escolar, mesmo de alunos criminosos, deixando-os livres para tumultuar e cometer crimes em outras escolas;

EU ACUSO a hipocrisia de exigir professores com mestrado e doutorado, muitos dos quais, no dia a dia, serão pressionados a dar provas bem tranqüilas, provas de mentirinha, para “adequar a avaliação ao perfil dos alunos”;

EU ACUSO os últimos tantos Ministros da Educação, que em nome de estatísticas hipócritas e interesses privados, permitiram a proliferação de cursos superiores completamente sem condições, freqüentados por alunos igualmente sem condições de ali estar;

EU ACUSO a mercantilização cretina do ensino, a venda de diplomas e títulos sem o mínimo de interesse e de responsabilidade com o conteúdo e formação dos alunos, bem como de suas futuras missões na sociedade;

EU ACUSO a lógica doentia e hipócrita do aluno-cliente, cada vez menos exigido e cada vez mais paparicado e enganado, o qual, finge que não sabe que, para a escola que lhe paparica, seu boleto hoje vale muito mais do que seu sucesso e sua felicidade amanhã;

EU ACUSO a hipocrisia das escolas que jamais reprovam seus alunos, as quais formam analfabetos funcionais só para maquiar estatísticas do IDH e dizer ao mundo que o número de alunos com segundo grau completo cresceu “tantos por cento”;

EU ACUSO os que aplaudem tais escolas e ainda trabalham pela massificação do ensino superior, sem entender que o aluno que ali chega deve ter o mínimo de preparo civilizacional, intelectual e moral, pois estamos chegando ao tempo no qual o aluno “terá direito” de se tornar médico ou advogado sem sequer saber escrever, tudo para o desespero de seus futuros clientes-cobaia;

EU ACUSO os que agora falam em promover um “novo paradigma”, uma “ nova cultura de paz”, pois o que se deve promover é a boa e VELHA cultura da “vergonha na cara”, do respeito às normas, à autoridade e do respeito ao ambiente universitário como um ambiente de busca do conhecimento;


EU ACUSO os “cabeça – boa” que acham e ensinam que disciplina é “careta”, que respeito às normas é coisa de velho decrépito,

EU ACUSO os métodos de avaliação de professores, que se tornaram templos de vendilhões, nos quais votos são comprados e vendidos em troca de piadinhas, sorrisos e notas fáceis;

EU ACUSO os alunos que protestam contra a impunidade dos políticos, mas gabam-se de colar nas provas, assim como ACUSO os professores que, vendo tais alunos colarem, não têm coragem de aplicar a devida punição.

EU VEEMENTEMENTE ACUSO os diretores e coordenadores que impedem os professores de punir os alunos que colam, ou pretendem que os professores sejam “promoters” de seus cursos;

EU ACUSO os diretores e coordenadores que toleram condutas desrespeitosas de alunos contra professores e funcionários, pois sua omissão quanto aos pequenos incidentes é diretamente responsável pela ocorrência dos incidentes maiores;

Uma multidão de filhos tiranos que se tornam alunos -clientes, serão despejados na vida como adultos eternamente infantilizados e totalmente despreparados, tanto tecnicamente para o exercício da profissão, quanto pessoalmente para os conflitos, desafios e decepções do dia a dia.

Ensimesmados em seus delírios de perseguição ou de grandeza, estes jovens mostram cada vez menos preparo na delicada e essencial arte que é lidar com aquele ser complexo e imprevisível que podemos chamar de “o outro”.

A infantilização eterna cria a seguinte e horrenda lógica, hoje na cabeça de muitas crianças em corpo de adulto: “Se eu tiro nota baixa, a culpa é do professor. Se não tenho dinheiro, a culpa é do patrão. Se me drogo, a culpa é dos meus pais. Se furto, roubo, mato, a culpa é do sistema. Eu, sou apenas uma vítima. Uma eterna vítima. O opressor é você, que trabalha, paga suas contas em dia e vive sua vida. Minhas coisas não saíram como eu queria. Estou com muita raiva. Quando eu era criança, eu batia os pés no chão. Mas agora, fisicamente, eu cresci. Portanto, você pode ser o próximo.”

Qualquer um de nós pode ser o próximo, por qualquer motivo. Em qualquer lugar, dentro ou fora das escolas. A facada ignóbil no professor Kássio dói no peito de todos nós. Que a sua morte não seja em vão. É hora de repensarmos a educação brasileira e abrirmos mão dos modismos e invencionices. A melhor “nova cultura de paz” que podemos adotar nas escolas e universidades é fazermos as pazes com os bons e velhos conceitos de seriedade, responsabilidade, disciplina e estudo de verdade.


Igor Pantuzza Wildmann
Advogado – Doutor em Direito. Professor universitário.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Arte pela UnB



O Centro Acadêmico de Artes Visuais, CAVIS, tem o prazer de convidar toda comunidade universitária e externa para a abertura do 1º Salão Paralelo.

O Salão Paralelo mostrará obras não selecionadas pelo 2° Salão Universitário do Espaço Piloto, sendo um espaço de incentivo e promoção para nossos alunos entanto que profissionais da arte.

Divulgue a arte que nasce na Universidade de Brasília!

Fonte: estudantes-unb@googlegroups.com;

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Consuni hoje!

AGENDA DA 374a REUNIÃO ORDINÁRIA DO CONSELHO UNIVERSITÁRIO, A SER REALIZADA NO DIA 17/12/2010, SEXTA-FEIRA, ÀS 14H30, NO AUDITÓRIO DA REITORIA DA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA.




1. Informes.
2. Assuntos para deliberação.
2.1. Proposta de criação do Programa de Pós-Graduação em Sistemas Eletrônicos e Automação.
Relator: Geraldo Magela e Silva
2.2. Proposta de Orçamento Programa Interno (OPI) da FUB/2011.
3. Outros assuntos.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Desventuras Políticas e o começo do governo Dilma



Por Davi Marco Lyra Leite

Estudante de Engenharia Elétrica da Universidade de Brasília, pesquisador do Grupo
de Processamento Digital de Sinais e do Grupo de Pesquisa em Imagens Médicas.


O Brasil passa por um momento de transição entre dois modelos de gestão bem
distintos, mesmo que durante a campanha tenha-se falado o contrário. Sairemos do
governo Lula, com um presidente boa praça e totalmente político – sem experiência
administrativa, mas com um jogo de cintura inigualável -, para o governo Dilma
Rousseff – em que teremos uma burocrata como chefe de governo, com larga
experiência administrativa, mas sem a habilidade no jogo político, característica de seu
antecessor.

Nesse cenário, o que acontece agora é a montagem do novo ministério – apesar
dele ter muitas faces parecidas com o antigo e ser formado, em grande parte, por
indicações de dois (futuros) ex-presidentes (Lula e José Sarney) – já vemos algumas
escolhas pessoais da presidente eleita, mesmo que em número bem pequeno. E, nesse
processo de escolha de novos ministros, ou manutenção dos antigos, uma das grandes
novidades das últimas semanas foi a escolha, ainda não anunciada oficialmente, do
senador Aloizio Mercadante (PT-SP) para a pasta de Ciência e Tecnologia.

Mestre em Economia pela Unicamp e professor licenciado da PUC-SP, Mercadante
desconhece a área de Tecnologia como a entendemos: “as ciências (exatas) aplicadas
à produção e à melhoria da qualidade de vida das pessoas”. Todavia, ele pode ser uma
excelente – senão uma das melhores - escolhas da presidente eleita. Por quê?

Comecemos pelo atual ministro, o competente e técnico Sérgio Rezende. Ele é doutor
em física pela maior instituição de pesquisa do mundo, o Instituto de Tecnologia de
Massachusets, o MIT, todavia não apresenta grandes aspirações políticas, visto já
ter chegado ao auge da carreira acadêmica, sendo professor titular da PUC-RJ e na
UFPE. Desse modo, por mais que entenda o que acontece nas universidades e na vida
acadêmica, falta-lhe a força para peitar as oposições e fazer valer a sua voz.

Nesse sentido, o senador Mercadante é bem diferente do atual ministro. Ele tem
duas características ausentes a Sérgio Rezende: o conhecimento do jogo de político
– dado pelos quase trinta anos de vida pública e por quase duas décadas atuando no
Congresso Nacional –; e a vontade de se projetar em cenário nacional – tendo em vista
que suas aspirações são maiores do que a vida como ministro ou senador, ele tem o
sonho de ser eleito governador de São Paulo ou conseguir, futuramente, uma cadeira
no Palácio do Planalto (seja como o titular do governo ou vice-presidente).

Desse modo, o ministro Mercadante pode imprimir uma nova lógica ao ministério,
fugindo do pragmatismo anterior, mas mantendo um viés técnico e competente.
Para isso, será necessário se aliar com pesquisadores e entusiastas da área que sejam
conhecedores das formalidades e do processo de desenvolvimento do país, além de
serem qualificados, hábeis e da total confiança do novo ministro. Esse aspecto será
essencial para que a pasta ganhe uma nova projeção, mas não perca as estruturas
atuais – que, mesmo precárias se pensarmos no contexto internacional e nas

potencialidades brasileiras, já representam uma melhoria graças a anos de trabalho
duro de cientistas e acadêmicos brasileiros.

Também acreditamos que ele pode atuar dando à pasta uma visibilidade nova no
cenário político brasileiro, visto que o ministro será o real protagonista dos trabalhos.
Além disso, ele chegou ao ministério devido à sua relevância dentro do Partido dos
Trabalhadores, ao invés de ter sido indicado por um padrinho mais forte, como no
caso do Dr. Sérgio Rezende – apadrinhado por Eduardo Campos, presidente do PSB,
governador reeleito de Pernambuco e, quiçá, futuro candidato à presidência da
República.

Esses pontos podem ser fatores determinantes para mudança das estruturas arcaicas
vistas no atual fisiologismo político. Vivemos um período em que se pensar em cargos
é mais importante do que se pensar no país; no qual o setor de Ciência e Tecnologia
é visto como acessório. Ninguém leva em conta que qualquer país desejoso de ser
desenvolvido deve investir em ciência para melhorar a produção, incrementar o
sistema educacional, melhorar a infra-estrutura de transportes, e, principalmente,
trocar o espaço de comprador de idéias para se tornar um exportador de inovações.

Mas lembrando que, para isso, o futuro ministro deve ter uma equipe competente,
ter um Secretário-Executivo atuando quase como um vice-ministro, com competência
técnica suficiente para auxiliar nas decisões da pasta e ser determinante para que o
Ministério não perca o seu viés técnico e se torne algo somente político.

Além de que, mesmo que seja importante a questão política para o trâmite da
pasta, os cargos de confiança devem ter o endosso técnico, as pessoas devem ter a
competência para exercer a função a que foram designadas, e não apenas ter o apoio
do partido – visando desenvolver um trabalho voltado ao crescimento da nação,
lembrando que o Brasil deve estar acima de qualquer partido político – a fim de evitar
problemas como aqueles ocorridos durante a gestão Cristovam Buarque em Brasília,
quando “companheiros” foram nomeados para cargos apenas por partidarismo e não
tinham condições suficientes para exercer as funções que eram esperadas deles por
parte do governo e da população.

Não tenho uma bola de cristal para dizer que sim ou não, mas torço, como apaixonado
pelo Brasil e desejoso de ver dias melhores para o nosso país, que essa escolha não
tenha sido só uma forma de acalmar brigas internas do partido e se mostre – como
tem a capacidade de ser – uma boa jogada da nova presidente.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Comissão de Ética da UnB


Pela UnB Agência:

Em entrevista à UnB Agência, Marcel Bursztyn (presidente da Comissão) revela as estatísticas e fala sobre o trabalho da comissão. Plágio e assédio moral também estão entre as ocorrências mais comuns


UnB Agência: Como os casos são tratados?
Marcel Bursztyn: É preciso deixar claro que nós não somos a justiça. A nossa punição é branda. A única punição é a censura ética, que fica registrada na ficha do funcionário e isso significa que por três anos ele não pode ser promovido. Ele não ocupará um cargo de gestor, por exemplo. Isso fica registrado na Comissão de Ética Pública da Presidência da República. Nosso papel é mais pedagógico, de ensinar mesmo. Somos conciliadores. É importante deixar claro também que essa comissão não julga alunos; nós temos mandato sobre agentes públicos. Aqui, na UnB, recebemos denúncias envolvendo professores, servidores do quadro administrativo, pessoal terceirizado e mesmo pesquisadores bolsistas. Essas pessoas nós podemos investigar. Casos que não são da nossa alçada chegam com frequência. Alguns são encaminhandos à Comissão Disciplinar Permanente da UnB, ou podemos recomendar que a parte denunciante encaminhe para a justiça. Por ser nova, criada em julho de 2008, nosso desafio é justamente que a comunidade conheça o papel da comissão.

UnB Agência: Como as denúncias chegam?
Marcel Bursztyn: Recebemos acusações por telefone, por e-mail e por carta. Podem ser anônimos ou as pessoas revelam quem são. O fundamental é que venham munidas de provas ou testemunhas para que facilitem a investigação. Cada caso é investigado de uma maneira e leva o tempo que for necessário. O que mais fazemos é a conciliação entre as pessoas. Muitos casos, como brigas entre professores e entre funcionários, poderiam ser resolvidos no próprio ambiente de trabalho. Casos mais graves, como uma difamação pública podem ser resolvidos por nós. O que é peculiar na UnB é que geralmente quem acusa, assim como o acusado, são bem instruídos e procuram se proteger da melhor forma possível. Isso tende a tornar o processo de apuração mais lento do que muitas vezes se deseja. Mas, por outro lado, torna a apuração mais precisa e fundamentada.

UnB Agência: A maioria das denúncias registradas pela comissão são de comportamento antiético. O que isso significa?
Marcel Bursztyn: Isso é bem amplo, mas basicamente corresponde a conduta mal educada por parte de algum servidor. São situações, como por exemplo, um servidor que é grosseiro no atendimento ao público. Depois dessa ocorrência, as denúncias mais comuns são de irregularidades administrativas, que representam 21,4% dos casos. Por exemplo, um servidor que deixou de cumprir com uma rotina de trabalho e provocou com isso algum tipo de prejuízo pessoal ou material. Em terceiro lugar está o plágio com 11,9% e, depois, com 9,5% o assédio moral, cuja abrangência é vasta e envolve circunstâncias variadas, que precisam ser bem investigadas. No início do mandato, nós fizemos uma pesquisa via InfoUnB, circular e memorando para saber quais assuntos a comunidade gostaria de debater. O tema de destaque foi o plágio, que não representa a maioria das nossas investigações. Depois veio o assédio moral. Já o nosso mapeamento mostrou que em primeiro lugar, 38% da demanda, diz respeito ao comportamento antiético.

UnB Agência: O plágio apareceu como principal desvio ético na pesquisa feita por vocês, mas o que aconteceu na prática foi diferente. Tem uma explicação para isso?
Marcel Bursztyn: Nós ainda não temos regras definidas para tratar o plágio. Nós sabemos que isso ocorre com frequência e é tratado dentro dos departamentos. Na maioria das vezes não chega para nós. A Comissão de Ética trata apenas dos casos de plágios em que as acusações são de alunos contra professores. Isso é gravíssimo.

UnB Agência: É mais grave o plágio vir do aluno ou do professor?
Marcel Bursztyn: Os dois são crimes. Mas o professor passa a não poder cobrar do aluno uma conduta mais apropriada que a dele. O professor perde a credibilidade com os colegas. Esse tipo de desvio ético corre em sigilo aqui, mas nos departamentos geralmente as pessoas ficam sabendo. Esperamos que seja criado um fórum específico para tratar desse assunto, estabelecendo parâmetros e sinalizando sobre penalidades. Precisamos ter regras claras para tratar o tema. Várias universidades de ponta, notadamente no exterior, já criaram seus códigos específicos sobre plágio. Muitas vezes, professores não sabem o que fazer com o plágio e alunos não sabem que estão plagiando. Nossos alunos foram formados na era da internet e estão acostumados a pesquisar nesse campo extenso. Acho que o entendimento do que é direito autoral está prejudicado.

UnB Agência: As palestras da próxima semana trarão esses temas para o centro dos debates. Qual o objetivo da Comissão de Ética com esse evento?
Marcel Bursztyn: Nós queremos apresentar à comunidade temas que estão na ordem do dia e que envolvem a todos. Muitos dos aspectos a serem tratados ainda estão sendo amadurecidos e a própria Comissão aprende na prática. Por exemplo, percebemos que nossa função não deve se restringir a um caráter punitivo. Ao contrário, podemos e devemos agir para promover a conciliação, em casos em que esta é possível. Recorremos com frequência à comissão da Presidência da Republica para esclarecer pontos que nos ajudem a tomar algumas decisões. Esperamos que as pessoas participem das palestras. Será enriquecedor para nós e para a Universidade.

PROGRAMAÇÃO DO CICLO DE PALESTRAS:

8/12
O Papel das Comissões de Ética (Decreto 1.171/1994)

Auditório da Reitoria, às 15 horas
Mesa de abertura: José Geraldo de Sousa Junior, reitor da UnB
Marcel Bursztyn, presidente da Comissão de Ética da UnB
Palestrante: Renata Lúcia Medeiros de Albuquerque Emerenciano, secretária executiva da Comissão de Ética Pública da Presidência da República

9/12
Plágio

Auditório da Reitoria, às 15 horas
Coordenador: Oyanarte Portilho, professor do Instituto de Física e membro da Comissão de Ética da UnB
Palestrante: Débora Diniz, professora do departamento de Serviço Social da UnB
Debatedor: Issac Roitman, professor aposentado da UnB e conselheiro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)

10/12
Assédio Moral


Auditório da Reitoria, às 15 horas
Coordenadora: Gardênia da Silva Abbad, professora do Instituto de Psicologia e membro da Comissão de Ética da UnB
Palestrante: José Roberto Montes Heloani, professora da Unicamp
Debatedores: Mário César Ferreira, do decanato de Pesquisa e Pós-Graduação e Gilca Starling, secretária de Recursos Humanos da UnB

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Dois novos decanatos



Na última reunião do Consuni, dia 03/12, foi aprovada a criação dos decanatos de Gestão de Pessoas e de
Planejamento e Orçamento.

A parecerista fez um trabalho minucioso e apaixonado sobre o tema. No parecer há 20 páginas com uma forte e convincente exposição de motivos, mostrando que, segundo especialistas, realmente se faz necessária a integração das referidas áreas administrativas, anteriormente pertencentes a decanatos diferentes. Após a leitura do parecer foram debatidos alguns pontos omissos (como uma explanação se seria melhor fazer dois decanatos ou apenas um, em vista da integração).

A conclusão foi que o Consuni concorda com a criação dos novos decanatos e que as especificidades técnicas serão debatidas durante a implementação dos decanatos e, posteriormente, levadas ao crivo do Conselho Universitário.

Em outro momento da runião foi mencionada a possibilidade de um novo corte da URP, discussão arrefecida com o pronunciamento do reitor no sentido de que, devido a liminar do Supremo, essa possibilidade não existe em uma realidade próxima.

No mais, já era previsível que não haveria tempo para serem discutidos todos os pontos pautados para esse dia. Logo, foi marcada a próxima reunião do Conselho para o dia 10/12, com o principal ponto de pauta a Criação do Centro de Estudos do Cerrado da Chapada dos Veadeiros – UnB Cerrado.


Se quiser os pareceres ou saber mais detalhes sobre qualquer ponto, é so deixar um comentário!

Relato elaborado por Davi Brito, membro-suplente do Consuni.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Ainda sobre o Beijódromo.

Retirado do Blog do Professor Leonardo Rax:

O beijódromo e o resto dos campi
Nesta semana será inaugurado o beijódromo.

Como isto aqui é um espaço de opinião meu eu vou dizer o que penso: não era o momento.

A inauguração de uma obra assim com baixa prioridade em tão pouco tempo (?) quando outras obras se atrasam se configura em uma rematado mau gosto. Transmite-se uma expressão de escárnio. A impressão ou percepção é o que fica.

Felizmente o dinheiro para construção veio da Fundação Darcy Ribeiro e do Ministério da Cultura. Mesmo assim, empatam-se recursos da UnB senão na construção então certamente na manutenção.

Enquanto isso, os campi sofrem com atrasos de obras - com destaque para os prazos fictícios que já corroeram a credibilidade quanto ao tempo que as obras irão ainda perdurar.

A idéia de um memorial a Darcy Ribeiro é boa (com todas as reservas que tenho com o mesmo - eu li algumas coisas do referido ex-reitor).

O timing é péssimo. E timing, assim como percepção, é tudo.

E com isto vai aumentando o coro dos insatisfeitos com as decisões tomadas.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Trabalho duro marca último dia de obra do Beijódromo (EIN!?)



Não, o título deste post não é gozação! Ele é a reprodução do destaque do portal da UnB neste glorioso dia. Eu ainda quero entender (talvez algum iluminado que visita este blog possa explicar-me) como tivemos tanto dinheiro e recursos humanos p/ gastar nessa obra quando tantas outras (preciso mesmo linkar?) continuam no ritmo de tartaruga. O Brasil é mesmo um país RIQUÍSSIMO para torrarmos dinheiro com utopias! A UnB está uma beleza, com instalações moderníssimas e uma Casa do Estudante Universitário que é um verdadeiro céu! Não serei eu a reclamar! Não serei eu a profanar as utopias, ainda mais uma abençoada pelo dignatário-mor desta terra de sábios. Como diria Schiller, "contra a estupidez até os deuses lutam em vão".

Em tempo: votem em nossa nova enquete. Quem sabe ela ajuda a motivar futuras matérias da SECOM?
(As opiniões expressas neste pequeno parágrafo são de responsabilidade deste autor e não necessariamento refletem a opinião coletiva da Aliança pela Liberdade)


Da SECOM:
Trabalho duro marca último dia de obra do Beijódromo

Operários finalizam construção do Memorial Darcy Ribeiro, que será inaugurado no dia 6 de dezembro. Enquanto isso, comunidade acadêmica mata a curiosidade com a queda dos tapumes

Thássia Alves - Da Secretaria de Comunicação da UnB



Máquinas ligadas formando um barulho contínuo. Homens concentrados, sem tempo nem para meia dúzia de palavras. Gente apressada correndo contra o avanço do relógio. O volume de trabalho permite pouca conversa. A data foi marcada, seis de dezembro de 2010, com presença confirmada dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e José Mujica – do Uruguai. A cerimônia será às 15h.

É a inauguração do Beijódromo, no campus Darcy Ribeiro. Sob o comando de uma voz feminina, três homens escutam atentos as últimas orientações. “Hoje é o pior dia da obra”, ordena Adriana Filgueiras, responsável pela construção. Ela se refere a esta terça-feira, 30 de novembro, data limite para a entrega do prédio.

O Memorial Darcy Ribeiro surge tímido para a comunidade acadêmica. Aos poucos, os tapumes vão caindo e quem passa pelos arredores da Reitoria encontra uma nova paisagem. “Dei uma espiada hoje pela manhã, mas foi de longe”, conta o professor Antônio Carlos dos Anjos, coordenador do Projeto Rondon.

O professor vê no Beijódromo o resgate da essência da Universidade de Brasília. “Esse espaço vem para mostrar quem é a UnB”. Antônio Carlos conta que já esbarrou com colegas que questionaram a utilidade da obra. “Quem diz isso não pensa a Universidade como o organismo vivo que ela é. Construir uma obra pensada há tantas décadas mostra que a UnB se recria a todo instante”, afirma.

Mesmo quem desconhece o projeto, se encanta com as curvas da arquitetura do beijo de Darcy. "Passei pela entrada por volta das 11h e vi os tapumes caindo. Não sabia exatamente o que era, mas já tinha visto a construção de longe", conta Martina Gomes de Miranda, aluna da pós-graduação da Faculdade de Medicina. "É esquisito, mas bonito".

Para terminar a construção dentro do prazo, operários finalizam os últimos detalhes. De um lado, um deles pergunta: “E as luzes do banheiro?”. Sem perder o humor, apesar do corre-corre, o colega responde: “É como qualquer outra! É só ligar o interruptor”. “O tempo que resta é para correria”, justifica Walter Bento Garcia, responsável pela parte hidráulica da obra e um dos 100 homens que tocam o projeto assinado pelo arquiteto João Filgueiras Lima, o Lelé.

ACERVO DE DARCY – O Memorial Darcy Ribeiro foi idealizado pelo fundador da UnB como o encontro perfeito entre sentimento e razão. O prédio vai abrigar todo o acervo do antropólogo e educador e terá também um anfiteatro dedicado à vivência, carinhosamente apelidado de "Beijódromo" pelo próprio Darcy.

A cerimônia de assinatura do convênio da obra, em maio deste ano, reuniu o presidente da Fundação Darcy Ribeiro, Paulo Ribeiro, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, e o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Luiz Soares Dulci. "O sentimento é de reencontro com a utopia da UnB, a disposição de Darcy de realizar grandes utopias", disse o reitor José Geraldo de Sousa Junior na ocasião.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Comunicando-se!


O termo "comunicar" tem origem no latim communis, que significa "tornar comum". Como nossas centenas de leitores acompanharam, ao longo deste mês de novembro nosso Blog ganhou vida. Temos publicado textos de opinião de membros da Aliança pela Liberdade, pautas a serem discutidas nos Conselhos Superiores, relatos a respeito de como se deram as deliberações nesses conselhos e notícias importantes sobre educação e sobre a UnB.

Queremos que os colegas e visitantes que acompanham esta página nos ajudem a tornar comum um número ainda maior e mais relevante de fatos e opiniões. Algo relevante ocorreu ou ocorre pela UnB? Venha noticiar! Impressões sobre a educação em Brasília e no Brasil (ou mesmo fora!)? Venha opinar! Seriam especialmente interessantes opiniões sobre eventos acadêmicos, como seminários e conferências, e a divulgação de coisas do cotidiano, como os Happy Hours.

Blog da Liberdade