segunda-feira, 26 de março de 2012

Amyr Klink leva pau da Secom/UnB em como inquietar alguém!


*Por André Maia


Estou inquieto. Na tarde do dia 16 de março de 2012 as/os estudantes da UnB, por meio de seu Diretório Central, organizaram na Câmara Legislativa do Distrito Federal audiência PÚBLICA sobre segurança nos campi de nossa universidade. Após quase uma semana do evento, a Secretaria de Comunicação da mesma universidade não publicou nem mesmo uma nota de rodapé sobre o fato.

  • Foi a primeira vez que discentes tiveram essa iniciativa.
  • O evento mobilizou dezenas de estudantes.
  • O evento mobilizou vários docentes e técnicos da UnB.
  • O evento mobilizou diversas autoridades especializadas do DF.
  • O evento teve repercussão no maior canal de TV do país e em outros veículos de mídia.
E NEM MESMO UMA NOTA DE RODAPÉ!?

Temos psicopatas divulgando uma nojenta campanha de ódio contra estudantes da casa, uma Audiência Pública sobre SEGURANÇA é organizada e a Secom não repercute a iniciativa!? Senso de responsabilidade, você estaria navegando pelos mares do senhor Klink ou já chegou ao mundo da lua?

Este escriba, após tantos anos de casa, está inquieto. Não é preciso cruzar os oceanos para descobrir que essa postura é realmente incomum. É autista? É desonesta? Talvez o chato autor seja apenas lerdo e não tenha encontrado a nota de rodapé. Talvez.

Curioso, ainda, é encontrarmos destacada repercussão para o debate sobre as regras eleitorais. Com o título “PARIDADE”, a Secom divulga notícia em que diz que o Movimento Estudantil da UnB está debatendo as regras do processo de consulta para o posto de reitor. Interessante que o título não seja “Processo Eleitoral” ou “Regras de Consulta”, mas “PARIDADE”! Bem, se não fosse com dinheiro PÚBLICO que essa aclamada instituição de (prop...) jornalismo funcionasse, tudo bem! Tudo ótimo! Mas desde quando essa Secom está no direito de OMITIR fatos tão notoriamente/comprovadamente relevantes!? As pessoas devem ter compromisso com seus salários e com seus nomes. In casu, o interesse público responde pelos dois.

Em tempo 1: Não bastasse isso, ainda temos de ler: "Intensificadas nos últimos dois anos, as medidas incluem campanhas, como a de conscientização dos calouros durante a cerimônia de recepção aos novatos organizada pela Reitoria, e os trotes solidários organizados por vários centros acadêmicos. No ano passado, a campanha ganhou o reforço do DCE, quando coordenadores do Diretório montaram barreira para proteger calouros alvo das tintas e ovos arremessados durante a divulgação dos resultados do vestibular.” Leia mais aqui: Relator pede o fim dos trotes

Este ano não? A proposta do DCE de dois trotes não é evitar abusos e constrangimentos? As matérias da própria Secom mostravam o sucesso da medida e a FELICIDADE dos alunos que ESCOLHERAM se sujar! Leia aqui: UnB lotada para divulgação do resultado do vestibular

Tudo isso agora é escondido? A moça sorrindo na foto deveria ser defendida por um tutor segurando um guarda-chuva? Ela própria decidiu não ser tutelada, mas a memória anda curta...

Em tempo 2: Tive notícia de que rolou divertidíssimo debate sobre PM SIM X PM NÃO promovido pelo DCE/UnB no dia 14 de março. É bonito quando jovens se comportam como jovens e não têm medo em debater seus tabus. Não, claro que não houve um lado vencedor. Isso é apenas parte do sistema lúdico do debate. Desde quando 200 pessoas em um auditório respondem pela universidade (salvo institucionalmente previstas, claro. Algum anarquista revolts já ia ficando empolgado)? De todo modo, é sintomático que professores e estudantes tão qualificados, ocupados e com visões distintas tenham a coragem e civilidade de sentarem à mesa para discutir “vacas sagradas”. Em síntese, é lindo quando a universidade parece um pouco mais universidade e um pouco menos igreja. Nada contra igrejas, pois inclusive freqüento orgulhosamente a minha, mas, como diria o filósofo, in se quadro unusquisque insidere. 

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Estes comentários não expressam a opinião da Aliança pela Liberdade e, muitíssimo menos, do DCE/UnB. São apenas reflexo de alguém que está puto e revoltado com uma postura desrespeitosa, mas que nem por isso pode perder o humor e deixar de rir das próprias tragédias.


*André Maia é graduado em Relações Internacionais e graduando em Direito, ambos pela UnB. É membro fundador e Presidente de Honra da Aliança pela Liberdade.

sexta-feira, 23 de março de 2012

PF impede possível massacre na UnB

*Por André Maia

Ufa, temos polícia! Ufa, temos sociedade civil!

Felizmente as asquerosas ofensas e ameaças divulgadas por um site de psicopatas não foram tratadas como se fossem brincadeiras. Milhares de pessoas, agindo com responsabilidade e consciência denunciaram sistematicamente uma página na internet que divulgava o ódio contra negros, mulheres, homossexuais, esquerdistas, judeus... E, não bastasse isso, ainda declarava que iria promover um massacre contra esses grupos na UnB.

Desta vez as instituições funcionaram e a Polícia Federal agiu com eficiência. Não esperaram para ver e, como demonstram as páginas de jornal de hoje, descobriram que a coisa era séria.

Essa é mais uma lição de que não podemos prescindir de certas instituições e de que não podemos silenciar frente ao mal. Não é preciso estar inserido em nenhuma dessas minorias para indignar-se e agir. A sociedade que garante a segurança e integridade do mais frágil é uma sociedade que garante a segurança de todos e que preza por sua própria existência.



*André Maia é bacharel em Relações Internacionais e graduando em Direito, ambos pela UnB. É membro fundador e Presidente de Honra da Aliança pela Liberdade.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Brincando de liberdade.


*Por André Maia

We will stand on principle or we will not stand at all. (Lady Thatcher)

Foi apenas uma escolha simples. Nada além disso. Não reinventamos a roda, não fizemos cálculos econométricos ou nos sentimos como espetaculares cientistas sociais em seu laboratório. Alguém apenas disse: vamos deixar que escolham.

Um espaço é o do trote sujo, com a tradicional (e inimaginavelmente divertida!) chuva de ovos. Há um mural com um monte de consagrados (aliviadas, aliviados). Há muita gente, tinta, farinha, e uma galera correndo com cartazes a arrebanhar as calourinhas e calourinhos. Há uma gritaria, choro, sorrisos e gargalhadas.

O outro espaço é o do trote limpo. Há um mural com um monte de consagrados (aliviadas, aliviados). Há algodão doce, refrigerante, cama elástica. Há música e muita gente. Há uma gritaria, choro, sorrisos e gargalhadas. Ah, também temos cartazes e os arrebanhados.

Gente. Havia gente nos dois espaços. Não era o bonde de Átila, o Huno, e sua horda de bárbaros, contra o bonde da gente civilizada, limpinha, e sua visão iluminada das corretas relações sociais. Era apenas gente. Uns divertem-se sujando e levando tinta. Outros preferem apenas seguirem limpos, com seus sorrisos, abraços e, claro, algodão doce. Simples assim.

“Magicamente”, o que parecia ser o choque das civilizações transformou-se em apenas mais uma festa saudável, uma celebração onde as pessoas comemoram o seu momento e ao seu modo. Nada de imposições. Nada de desrespeito. Não reinventaram a roda. Apenas colocaram o jumentinho para puxar a carroça (o jumentinho deste texto não foi tratado com um chicote. Algumas boas cenouras serviram).

O texto de meu amigo Saulo já contempla a avidez por argumentos de qualquer inconformado. “Como eles conseguiram!?” Bem, não foi o DCE, foram os veteranos, os calouros e suas famílias. O DCE não fez nada, nada além de deixar as pessoas fazerem. A pergunta simples a ser feita é “como as pessoas podem ser livres?”. Às vezes basta pensar.

Watch your thoughts for they become words. Watch your words for they become actions. Watch your actions for they become...habits. Watch your habits, for they become your character. And watch your character, for it becomes your destiny! What we think we become. My father always said that... and I think I am fine. (Uma velhinha no filme que estréia sexta-feira)

Portanto, amanhã tem mais.

O autor deste comentário é apenas um velho cansado e suas considerações não necessariamente refletem a sabedoria, ânimo e profissionalismo da Aliança pela Liberdade.

*André Maia é graduado em Relações Internacionais e graduando em Direito, ambos pela UnB. É membro fundador e Presidente de Honra da Aliança pela Liberdade.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

TROTES E A LIBERDADE DE ESCOLHER

*Por Saulo Said Maia




A divulgação do resultado do Processo de Avaliação Seriada (PAS) da UnB em 2011 culminou com um tumulto relacionado ao tradicional trote sujo. De um lado, a então gestão do DCE fazia uma campanha contra a prática, considerada humilhante. Em um dos cartazes utilizado para proteger os estudantes, lia-se: “Somos veteranos e não damos trote”. De outro lado, uma multidão de veteranos pintando os novos alunos, jogando ovos e trigo. No meio do ovo cruzado entre DCE e veteranos pró-trote, encontravam-se alguns calouros satisfeitos com a bagunça e outros procuravam abrigo atrás dos cartazes. (Reportagem da SECOM).

Um ano depois, muita festa, muita comemoração e nenhum tumulto. Por iniciativa do DCE-UnB, Gestão Aliança pela Liberdade, a divulgação do resultado do PAS 2012 foi realizada em dois ambientes. No Teatro de Arena, o tradicional trote sujo, com ovos, trigo e tinta. No ICC Norte, o DCE promoveu o trote limpo, com cama elástica, música, algodão doce, pipoca e refrigerante. Também foram distribuídas cartilhas sobre assistência estudantil, a fim de informar os estudantes em situação econômica vulnerável e auxiliá-los na obtenção do auxílio.

Como registro a reportagem da SECOM, mesmo com a elogiada opção do trote limpo, muitos estudantes optaram pela recepção tradicional, com tinta, ovos e trigo. Nas palavras da mãe de um dos aprovadas:
“Ele tinha um pouco de medo do que poderia ser o trote. Chegando aqui, ele pôde avaliar se queria ou não entrar na sujeira. Acabou se sujando, mas com liberdade de escolha”.
Quando o paternalismo do passado foi substituído pela liberdade (estratégia da atual gestão), ficou claro que o trote sujo não era (necessariamente) uma humilhação imposta aos calouros. É interessante contrastar as justificativas de uma estudante que participou do trote limpo com as outra que preferiu o trote sujo (presente na matéria da Secom).
Passei, graças a Deus. Agora vou voltar limpa para casa. Se eu tivesse suja, acho que não ia conseguir entrar no ônibus. Ia ter que ligar pro meu pai vir me buscar e acho qeu ele não ia me deixar entrar no carro. Ia ter que encher tudo de plástico, no mínimo. É bom voltar pra casa feliz e limpa".(Layanne Souza)
Já me jogaram ovo, tinta, bebida, energético. Tudo o que tem direito, né? Esse cheiro é o cheiro do dia que eu passei no vestibular. Espero lembrar dele pra sempre. (Desirée Pereira)
Mais do que criatividade e competência, o trabalho da nova gestão do DCE-UnB representa uma mudança de visão do movimento estudantil. No discurso de posse, o presidente da Aliança pela Liberdade já indicava que o objetivo do grupo era servir aos estudantes, em vez de dirigi-los. E assim foi feito na recepção. Não cabe ao DCE determinar pelos estudantes como eles devem comemorar a aprovação na UnB.

Noutros tempos, dissera um dos coordenadores do DCE: “A gente percebeu que tem uma maioria calada contra o trote. Esse é um momento importante para eles. Não tem que ter humilhação”, referindo-se ao trote sujo. A nova gestão prefere devolver aos próprios estudantes a capacidade de decidir o que é melhor para eles mesmos, assim como decidir o que consideram ou não uma prática humilhante. Não importa que eles tenham 17 ou 18 anos, eles não estão sob a tutela intelectual dos “iluminados” veteranos ou do DCE.

Em vez de protagonizar uma cena quixotesca e ineficaz de proteção aos que não gostam do trote sujo, a gestão Aliança pela Liberdade viabilizou (junto a reitoria) um outro mural de divulgação do resultado. É assim, com organização, competência e respeitando a inteligência e as preferências dos estudantes, que o DCE UnB dá as boas vindas aos novos alunos da UnB.

*Saulo Said Maia
Membro da Aliança pela Liberdade desde 2009;
Graduado em História pela UnB e mestrando em Ciência Política pelo IESP-UERJ (antigo IUPERJ).

DCE prepara recepção para calouros do PAS


Notícia veiculada pelo portal da UnB


"Este ano, a pedido do Diretório Central dos Estudantes (DCE), o Decanato de Ensino e Graduação (DEG) vai afixar uma lista na Ala Norte do Instituto Central de Ciências (ICC), o Minhocão, como alternativa para quem quer sair limpo."
Pedro Rafael Ferreira - Da Secretaria de Comunicação da UnB

O resultado da edição 2012 do Programa de Avaliação Seriada (PAS) da UnB será divulgado nesta sexta-feira 27, às 17h. Como em outros anos, a universidade exibirá a lista dos aprovados no Teatro de Arena do campus Darcy Ribeiro. É ali que veteranos e calouros se encontram para o trote que inclui a sujeira já conhecida por quem espera o resultado: banho de tinta, lama, farinha, ovos, raspagem de cabelos etc. Este ano, a pedido do Diretório Central dos Estudantes (DCE), o Decanato de Ensino e Graduação (DEG) vai afixar uma lista na Ala Norte do Instituto Central de Ciências (ICC), o Minhocão, como alternativa para quem quer sair limpo.
“Sabemos que tem calouro que não gosta do trote convencional, com sujeira de tinta e ovos. A idéia é que seja um ambiente alternativo para aqueles que querem trazer parentes e amigos na comemoração”, explica Simone Alves, aluna do 7º semestre de Ciência Política e coordenadora de integração estudantil do DCE. Para quem preferir o trote “limpo”, o diretório vai distribuir algodão doce e refrigerante. “Aqueles que infelizmente não tiverem o nome na lista de aprovados também terão um cantinho especial, para que a decepção não tome conta”, acrescenta.
O trote "sujo" é uma atividade que tem causado polêmica na UnB nos últimos anos. Exageros na recepção chegaram a gerar uma denúncia da Secretaria de Políticas para Mulheres, da Presidência da República, que classificou algumas práticas como “humilhantes”. Uma sindicância chegou a ser instituída pelo reitor José Geraldo de Sousa Junior para apurar o caso. “O DCE não se posiciona contra o trote, mas repudiamos a violência, seja física ou moral, contra qualquer estudante. Defendemos a liberdade de escolha individual, sem coerção, sobre participar ou não da brincadeira”, argumenta Simone.
CARNAVAL – A coordenação do DCE também organiza uma festa pré-carnavalesca para receber os novos estudantes da UnB, no domingo, 29 de janeiro. Batizado de “Universamba”, o evento contará com a participação da bateria Insana, composta por alunos da Medicina, e a banda Volta por Cima.
O site do diretório tem os detalhes.
“Além de recepcionar os calouros, a festa será uma mobilização para o desfile da Acadêmicos da Asa Norte, que este ano defenderá um samba-enredo sobre os 50 anos da nossa universidade”, destaca Simone Alves. A escola de samba de Brasília abriu uma ala exclusiva para a comunidade acadêmica desfilar na avenida durante o Carnaval de 2012 do DF.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

2012: Balanço e perspectivas do DCE UnB


Artigo publicado no site da UnB
"Em outubro, o resultado das eleições do Diretório Central dos Estudantes (DCE) colocou a universidade sob os holofotes da mídia. A chapa Aliança pela Liberdade venceu sete concorrentes de esquerda e dividiu os estudantes. Tachados de conservadores, defenderam-se dizendo que acreditam na excelência acadêmica e no mérito, e não na ocupação de espaços da universidade, como forma de fazer revolução."

Desde 2009, a Aliança pela Liberdade trabalha para que as práticas de nossa Universidade sejam guiadas por Liberdade e Excelência Acadêmica. Se se pode atribuir um significado à palavra “universidade”, com certeza ela está ligado à produção e difusão de conhecimento crítico e de ponta. Foi com estas crenças que nosso grupo se apresentou à comunidade acadêmica e assumiu a gestão do Diretório Central dos Estudantes da UnB.
Dois meses se passaram desde nossa posse em 1º de novembro de 2011 e, mesmo sendo um período curto e de transição, já alcançamos algumas importantes e simbólicas conquistas. Entre elas, destacamos as seguintes:
Limpeza do espaço físico do DCE
Para a universidade atingir seu potencial, é essencial que “detalhes” como qualidade do espaço físico e até mesmo sabonete nos banheiros não sejam incômodos para seus usuários. Do mesmo modo, um ambiente sujo e bagunçado, além de ser um péssimo ambiente de trabalho, é exemplar em repelir interessados em ver de perto a representação estudantil. Planos para uma reforma maior do espaço já estão encaminhados. (Fotos)
Permanente abertura ao diálogo
Sempre deixamos claro nosso apreço pela pluralidade de ideias. Estamos em contato cotidiano com membros de outros grupos estudantis que, a despeito da oposição, também lutam por uma universidade melhor e por isso são essenciais ao movimento estudantil. A colaboração dos estudantes, incluindo os membros de chapas opositoras, é bem-vinda. Prova disso foi a ampla divulgação do Conselho de Entidades de Base (CEB), entidade com representação e voto dos CAs. Foram quatro reuniões (3 deliberativas), sendo as pautas e atas disponibilizadas para todos os estudantes através do site do DCE.
Parceria com instituições acadêmicas, sociais e culturais
Nossas portas estão abertas não só à universidade, mas a todos que queiram contribuir por um Brasil melhor. Por isso, firmamos parcerias em eventos de órgãos como IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), IFC (Instituto de Fiscalização e Controle), Escola de Samba Acadêmicos da Asa Norte, entre outros. Além disso, demos ampla publicidade aos eventos culturais promovidos e acadêmicos através do site e de redes sociais.
Assistência Estudantil
Em nossa posse assumimos o compromisso de lutar pela melhoria da assistência estudantil. O momento mais representativo neste campo foi a participação no Orçamento Participativo do Plano Nacional de Educação Superior (OP-PNAES). Divulgamos maciçamente o programa e dedicamos espaços de participação a cada um dos 3 campi avançados, dividindo as restantes em votação no Conselho de Entidades de Base - CEB. Deste modo, qualquer interessado em contribuir para a melhora da Assistência Estudantil na UnB teve como se fazer ouvir.
A atuação da atual gestão foi decisiva ao exigir dados detalhados sobre os recursos disponíveis, sobre a demanda em cada uma das áreas da assistência estudantil, a fim de embasar as decisões. (Para aprofundamento: Permanência e Alimentação são prioridades na Assistência estudantil)
Também acompanhamos de perto e demos apoio a reivindicação dos Estudantes da FUP, que exigiam a construção de um Restaurante Universitário e a conclusão das obras do alojamento estudantil. Além do apoio, procuramos nos informar sobre as causas do atraso nas obras e pressionamos os órgãos competentes a agilizar o processo. (Para aprofundamento: Dignidade aos/às estudantes da FUP)
Novo site do DCE
O novo site do DCE-UnB é uma mudança simbólica para o movimento estudantil. Não pode existir representatividade sem transparência e prestação de contas. A radical reorganização de nossa plataforma virtual permite que, pela primeira vez na história do movimento estudantil da UnB, os estudantes saibam o que está ocorrendo na universidade. Estatuto do DCE, contato dos representantes discentes, eventos e interesses em geral estão próximas do estudante e integradas com as redes sociais. Um exemplo dessa sintonia entre o site e os estudantes foi a página que trata dos cursos de verão, onde disponibilizamos informações atualizadas sobre matérias ofertadas. Foram nada menos que 900 “curtidas” em redes sociais, marca que mesmo os grandes portais da internet raramente alcançam.
Nossos votos para o ano que se inicia
O ano de 2012 tem tudo para ser um ano especial para a UnB e repleto de desafios. Debates sobre a Estatuinte, eleições para Reitor, realização de grandes eventos como o FLAAC (Festival Latino-Americano e Africano de Arte e Cultura). E, mais importante, em 2012 a UnB completará 50 anos de existência, dada a ser comemorada e que deve servir para pensarmos os rumos da universidade. Qual será a UnB dos próximos 50 anos e o que faremos para que ela obtenha ainda mais destaque na produção e difusão de conhecimento, na formação de profissionais, cidadãos e líderes? Ano de comemoração, trabalho e também de reflexão.
Fazemos votos para que em 2012 (e nos próximo 50 anos) nossa universidade seja um espelho do que queremos para nossa sociedade. Que convivamos em um ambiente seguro e humano, que a administração pública seja eficiente e transparente; que bons projetos sejam fomentados, que a democracia e a pluralidade predominem, que o conhecimento se multiplique; que as necessidades especiais sejam atendidas.
Desejamos também que a esperança vença o medo e que o bom-senso vença a ignorância, que cada um contribua da melhor maneira que puder por um país melhor. Que a comunidade acadêmica, em toda sua diversidade, nos ajude na árdua busca por uma UnB melhor.
Estes são nossos mais sinceros votos.
Um ótimo 2012 para todos!
DCE – Gestão Aliança pela Liberdade.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Membro da Aliança pela Liberdade é destaque no portal da UnB





Davi, 22, 9º semestre de Engenharia Elétrica, foi reconhecido por reduzir a qualidade de imagens em ressonâncias magnéticas


Diogo Lopes de Oliveira - Da Secretaria de Comunicação da UnB

Desde cedo, Davi Marco Lyra Leite seguiu o conselho dos pais. “Seja útil”, eles diziam. Assim, o jovem que finaliza seu curso de graduação no próximo mês de junho, cresceu com a preocupação de melhorar a qualidade de vida das pessoas. “Entrei na universidade com a certeza de que queria trabalhar com tecnologia médica. Só não sabia se em Física ou Engenharia”, relembrou Davi.

O reconhecimento ao esforço de Davi veio por meio de uma das mais conceituadas instituições de sua área, o Institute of Electrical and Electronic Engineers (IEEE). Ele recebeu o segundo lugar na categoria Engenharia Elétrica no Concurso de Papers Estudiantiles Región 9, que reuniu trabalhos de graduação e pós de dez países latinoamericanos.

A inovação do trabalho de Davi é tornar possível que mais de uma bobina possa colher dados durante a ressonância magnética. O resultado é bem útil: os pacientes passam menos tempo em exposição e não precisam prender a respiração ou ficar praticamente imóveis durante todo o exame. O artigo premiado foi escrito sob a orientação de João Luiz Carvalho, professor do Departamento de Engenharia Elétrica da UnB.

Além do recente prêmio, Davi já recebeu medalhas e distinções acadêmicas da Sociedade Brasileira de Física, do Exército Brasileiro, e da Sociedade Brasileira de Astronomia. O jovem pesquisador tem publicações no Caderno de Relações Internacionais da PUC-RJ e em congressos de iniciação científica regionais e nacionais.

PRINCÍPIO - O professor João Luiz explica o princípio da inovação elaborada por ele e por Davi: quanto maior a quantidade de bobinas (antenas) utilizadas na captação das imagens emitidas pelo corpo, melhor a qualidade do material. Ou seja, o aumento do número de bobinas diminui o tempo de coleta. “Na ressonância magnética, se você utiliza quatro bobinas em posições diferentes, consegue carregar as imagens na metade tempo”, esclarece. "Agora, que ganhamos tempo, precisamos trabalhar para otimizar a qualidade da imagem com quatro captadores”, explica Carvalho.

Existem boas chances de que, ao terminar a graduação, Davi parta diretamente para o doutorado na University of Southern Califórnia (USC), onde será orientado por Crishna Nayak, mesmo professor que ajudou Carvalho a redigir sua tese de doutorado que desenvolveu uma técnica para medir a velocidade do fluxo sanguíneo no organismo. Carvalho está otimista em relação a ida de seu aluno aos Estados Unidos. “Estou muito otimista. Conversei com Nayak e acho que Davi será aceito na equipe de doutorado do próximo ano letivo nos Estados Unidos”, garantiu.

Carvalho disse que desde que conheceu Davi, há três anos, seu aluno sempre quis estudar fora. “A busca de Davi por universidades nos Estados Unidos partiu dele mesmo”, assegurou. Para o docente, além dos prêmios recebidos por Davi, a USC deve valorizar os trabalhos voluntários desenvolvidos por seu aluno. Apesar da quase certeza de sua ida à América do Norte, Davi é cético: “Só vou acreditar quando estiver lá”, disse.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

APARTIDARISMO E IDEOLOGIA:

Réplica da Aliança pela Liberdade
Ainda que discordemos de alguns pontos do texto “Apartidarismo e Ideologia”, assinado pelo estudante Guilherme Riscalli (graduando em Filosofia pela USP), não podemos negar que o texto é bem escrito e que suas críticas são bem fundamentadas. Como o texto faz menção a quatro grupos estudantis de quatro universidades (UFRGS, UnB, UFMG e USP) e o trata em bloco, essa réplica se restringe apenas aos pontos em que a caracterização geral não se aplica a Aliança pela Liberdade.

Se compreendemos bem, a tese central do texto é que “esses grupos emergentes” não se enxergam como parte de uma “diversidade política” e negam a existência “de uma partição específica num coletivo social”. O texto possui ainda outras teses secundárias, das quais destaco: (1) a negação da ligação “óbvia” desses grupos com os partidos conservadores (PSDB, DEM e PP) e (2) esses grupos escondem suas intenções e fazem da política uma questão meramente técnica (quer dizer, de eficiência).

Para nós da Aliança pela Liberdade sempre esteve claro que atuamos dentro de uma arena política (a arena universitária), cujo público (os estudantes) não é homogêneo. Ora, como poderíamos achar que somos os únicos a representar a totalidade dos estudantes, se vencemos uma eleição disputada por oito chapas, onde obtivemos menos de 30% dos votos?

O corpo discente apresenta uma enorme pluralidade de opiniões, de interesses, de prioridades e de valores; entretanto, mesmo entre os grupos mais diversos, acreditamos que é possível sim encontrar elementos em comum pelo qual todos podem trabalhar. Não temos a pretensão de ser a única voz dos estudantes e dois gestos da atual gestão exemplificam o que digo. Em pouco mais de um mês de gestão, o Conselho de Entidades de Base (órgão deliberativo com representação dos CAs) foi convocado 4 vezes, uma freqüência muito maior do que se viu nas últimas gestões. Outro gesto foi a indicação dos componentes do Orçamento Participativo, que em 2012 irá gerir 10% dos recursos destinados a Assistência estudantil. Ao DCE cabia indicar todas as cadeiras, mas por iniciativa própria a diretoria destinou 3 cadeiras para cada um dos novos campi da UnB — nos quais chapas oposicionistas venceram; 7 vagas foram indicadas pelo Conselho de Entidade de Base (CEB). Muitos dos eleitos fazem oposição a atual gestão, alguns deles oriundos de chapas concorrentes, ficando o DCE apenas com duas dessas cadeiras.

Se quiséssemos exercer o poder sozinhos, por que convocar tanto os órgãos onde a oposição pode exercer o poder? Por que dividir cadeiras com pessoas que não são da gestão e que nos fazem oposição? O que mais queremos é que a política estudantil reflita a pluralidade existente no corpo discente e para isso é fundamental revitalizar os espaços de deliberação. Preferimos prejudicar a nossa agenda e nossas propostas, se esse for o preço a ser pago pela revitalização do ME. (Como mostrei, as eleições anuais para DCE e RDs, momento de maior mobilização estudantil, 82% dos estudantes preferiram não votar, sendo que em 2009 esse número era ainda maior).

Sobre a ligação “óbvia” com os “partidos conservadores”, quais sejam, PSDB, DEM e PP. A atual gestão, no ato da posse, apresentou certidões emitidas pelo TSE que comprovam a não filiação dos seus membros. A Aliança pela Liberdade não proíbe o ingresso de filiados a partidos políticos (como se costuma repetir). O filiado pode ingressar no grupo, mas não pode assumir cargos no DCE, não pode ser representante discente, nem assumir cargos internos na Aliança. Mentir sobre filiação partidária, ou não atualizar informações, é punido com expulsão do grupo, pois consideramos que honestidade, antes de ser uma qualidade, é um pré-requisito para quem faz política. Se o filiado quiser cooptar o grupo no interesse de seu partido e usar o ME como trampolim político, sua vida será dificultada pelas normas internas: isso deve explicar por que filiados não nos procuram.
Cabe ao autor o ônus de provar a ligação com da Aliança com aqueles ou com quaisquer outros partidos políticos. Se o autor achar ligações dos demais coletivos com os partidos, isso nada prova a nosso respeito. A escolha de tratar esses movimentos como um bloco é do autor, mas isso não exime de provar as afirmações gerais para cada uma das partes.

“Sua pretensão é a de superar as disputas políticas e aparecer como chapa branca, neutra”. Não somos chapa branca, ou neutra, nem a representação de todos, simplesmente porque não acreditamos em nada disso. A política universitária se caracteriza por uma infinidade de questões (tais como segurança, assistência estudantil, regras de convivência, financiamento de pesquisas, infra-estrutura entre inúmeras outras) e em todas elas os estudantes se dividem. As diferenças são tanto de prioridades (ou seja, dos fins últimos das políticas) como diferenças técnicas (ou seja, divergências quanto ao resultado esperado de uma dada política).

Não negamos o jogo político e participamos dele, do mesmo modo que o fazem as chapas ligadas ao PT, ao PC do B, PSB, PSTU, PSOL, PCO, ou os coletivos anarquistas. Dizer que somos “invólucros sem vontade, a serem preenchidos, sem atrito, sem resistência, pelo rosto desse mítico ‘todos” é ignorar nossa história, nossa atuação. Recomendo a leitura do texto “Prestação de contas a comunidade acadêmica”, onde sintetizamos um ano de atuação do grupo. Foram mais de 60 textos, onde nos posicionamos sobre os mais diversos temas da política estudantil.

Em suma, compartilhamos com Guilherme Riscalli os mesmos valores e as mesmas referências. Apenas não achamos que a crítica se aplique ao grupo estudantil Aliança pela Liberdade. A representação do todo e a pacificação da política foram levadas a cabo, ao longo do século XX, por regimes de direita e esquerda, que suprimiram liberdades civis e políticas, instituíram o unipartidarismo e calaram as vozes dissonantes. Caro Riscalli, tanto nossos princípios como nossas práticas se opõem a essa “pacificação da política” e nós repudiamos tanto ideias como regimes que sirvam a essa distopia.

Saulo Maia Said
Membro da Aliança pela Liberdade desde 2009
Graduado em História pela UnB e mestrando em Ciência Política pelo IESP-UERJ (antigo IUPERJ)

sábado, 10 de dezembro de 2011

URGENTE!


Colegas e visitantes,

Hoje teremos uma reunião de apresentação da Nova Gestão do DCE/UnB às 16h no Instituto de Biologia. Mais informações: http://www.dceunb.org/

O convite é para todas e todos aqueles que queiram conhecer o novo grupo, fazendo parte ou não da comunidade acadêmica.

Até lá!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A VITÓRIA DOS SEM PARTIDO


A política é um esforço tenaz e enérgico para atravessar grossas vigas de madeira. Tal esforço exige, a um só tempo, paixão e senso de proporções. É perfeitamente exato dizer — e toda a experiência histórica o confirma— que não se teria jamais alcançado o possível, se não se houvesse tentado o impossível.
Max Weber - Ciência e Política: duas vocações.


*Por Saulo Maia Said

Embora a vitória da Aliança pela Liberdade tenha recebido grande atenção da imprensa local e nacional, aqueles que tinham curiosidade em entender a vitória de um grupo pragmático, sem partidos ainda aguardavam uma análise mais profunda da questão. Entrego ao público um texto que analisa as seguintes questões:
  1. Para além das diferenças entre propostas, o que distingue a Aliança dos demais grupos em termos de atuação política e representação?
  2. Qual a relação da Aliança com os partidos políticos? Anti-partidarismo ou apartidarismo?
  3. A eleição de 2011 (para além da chapa vitoriosa) revela alguma tendência no grau de interesse do corpo discente pela política estudantil?
  4. O que motivou o aumento da votação em cursos que pouco votavam até 2010 e passaram a votar em 2011?
  5. Até que ponto a mudança de padrões eleitorais pode ser atribuído a Aliança pela Liberdade ou as demais chapas?
Boa parte dessas perguntas já foram feitas. O que ofereço ao público é uma análise empírica (com estatística descritiva), baseado em evidências eleitorais e em índices (como a taxa de comparecimento por cursos) que não figuram em nenhuma das análises feitas até então.

Acesse o artigo completo em PDF.

*Saulo Maia Said, graduado em História pela UnB (2007-2010), membro da Aliança pela Liberdade desde 2009. Atualmente é mestrando em Ciência Política pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP-UERJ), ex-IUPERJ.


terça-feira, 29 de novembro de 2011

A primeira estação do caminho de mudanças: o novo site do DCE

*Por André Maia

Há praticamente um mês a Gestão Aliança pela Liberdade assumiu o DCE/UnB. Inúmeras reuniões têm sido realizadas, projetos elaborados e tocados. De diferentes formas as/os estudantes da UnB têm percebido a evolução qualitativa de sua representação. Contudo, se há algo radicalmente perceptível, é a mudança no site do DCE/UnB. O novo site é a cara da nova gestão: modernidade, eficiência, pluralismo, transparência, clareza e trabalho. Especialmente, muito trabalho.

Modernidade: o site atual é incomparavelmente melhor em relação ao site anterior. Mantido há anos como uma carroça, um objeto de museu, o antigo site tinha aparência e funcionalidade piores do que qualquer blog de amador (como este próprio que você lê agora). O site novo é uma ferramenta bonita e convidativa, que interage com o visitante, sendo a cara de uma universidade de empreendedorismo e inovação. Ele está completamente integrado às ferramentas sociais (Facebook, Twitter e Google+) da chamada web 2.0 e se baseia amplamente em conteúdo gerado pelos próprios usuários - no caso, os estudantes.

Eficiência: o novo site dispõem informações de maneira organizada e útil. A página virtual atinge sua finalidade ao trazer informações de qualidade e interesse das/dos estudantes. A aluna de nossa univesidade sabe que encontrará informações atualizadas e úteis na página de seu diretório. O aluno da UnB sabe que ao entrar na página do DCE não encontrará apenas informações de assuntos externos ao seu cotidiano universitário.

Pluralismo: em sua seção de eventos e grupos, a página do DCE demonstra ser, de fato, de todas e todos os estudantes. O site apenas começou e já percebmos uma participação crescentes de pessoas querendo divulgar seus eventos estudantis, sendo eles dos mais diversos temas e interesses. Assim se organiza o site de uma gestão que pretende representar e não dirigir seus pares.

Transparência: ao contrário de gestões anteriores, a atual Gestão fala e faz! Nas gestões anteriores, era um suplício o simples cumprimento do Estatuto do próprio DCE. Infelizmente as contas raramente eram disponibilizadas no site. Contas de DINHEIRO PÚBLICO. A Gestão atual, por crer que o que é público é de todos, acredita que TODOS devem ter acesso simplificado e periódico às contas da gestão. Existe forma mais eficaz do que nosso site para fazê-lo?

Clareza: o site anterior, além de ser praticamente inútil, era também confuso. As informações estavam dispostas de modo desorganizado, além de ter conteúdo duvidoso, visto que os mais diversos assuntos misturavam-se sem muita explicação. O site atual permite que o visitante encontre de modo claro e rápido as informações que foi buscar.

Trabalho: não, não acredito que tenha sido fácil criar um site eficiente e moderno. Alimentá-lo permanentemente deve ser ainda mais trabalhoso, tanto por razões de forma quanto de conteúdo. Ele é o resultado evidente de quem tem compromisso com sua universidade e emprega seu tempo e esforços em benefício da coisa pública. Esses são os fatos a respeito de um grupo que foi acusado de ser egoísta, apolítico e desmobilizado. Contra a mentira e os falsos discursos a nova Gestão apresenta fatos, trabalho, esforço.

O site do novo DCE é um site de verdade, de uma Gestão de verdade, que representa estudantes de verdade. Convido o leitor a comparar a versão antiga e a nova e chegar às suas próprias conclusões.

*André Maia é bacharel em Relações Internacionais e estudante de Direito pela Universidade de Brasília. É membro fundador e Presidente de Honra da Aliança pela Liberdade.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Junto à Estátua - Luís da Gama

A Aliança pela Liberdade é grupo essencialmente preocupado com política, um grupo que busca melhorar a vida das pessoas. Mas se o objetivo de nossa política é a melhora da vida - e vida sem arte não vale a pena! - devemos também nos render, sempre que possível, aos encantos da poesia.

Por isso, uma homenagem à Semana da Consciência Negra vem na forma desse poema de Luís da Gama, nas Primeiras Provas Burlescas de Getulino (c. 1870). Ele: poeta, advogado e político brasileiro de pele negra, amigo de Rui Barbosa e Joaquim Nabuco, que 100 anos antes adiantava-se ao "Preconceito" de João Gilberto e declarava o amor como a primeira forma de rebeldia contra todos os tipos de preconceito.




JUNTO À ESTÁTUA
(No Jardim Botânico de São Paulo)

Em plácida manhã serena e pura,
Sentado à borda de espaçoso lago;
O corpo recostado em frio marmor,
Tórridos membros sobre a terra quedos,
Qual túmido Tritão de amor vencido,
Transpondo as serras, iracundos mares,
D’Aurora o berço perscrutando ousado,
Dolorosos suspiros exalava
Meu frágil peito da natura escravo.

Já nas fúlgidas portas do Oriente
Trajando púrpura majestoso assoma
Luzeiro ardente, que expandindo os raios,
Deslumbra os olhos, e a razão sucumbe;
E, com furtiva luz, pálidas fogem
Notívagas esferas cintilantes.
As brandas auras perfumadas vinham
De grato aroma que invejara Meca,
Nos tortos ramos assoprar de manso.

Em nuvens brancas lá do céu caía
Pranto saudoso que derrama a Aurora,
Que a terra orvalha, que floreia os prados.
Volátil bando de ligeiras aves,
Brandindo as asas pelo ar brincavam,
Modulando canções, ternas endechas

Longe do mundo, das escravas turbas,
Que o ouro compra de avarentos, Cresos
A minh’alma aos delírios se entregava,
A sombra de ilusões – de aéreos sonhos.

Formosa virgem de nevado colo,
De garços olhos, de cabelos louros;
Sanguíneos lábios, elegante porte,
Mimoso rosto de Ericina bela,
Curvando o seio de alabastro fino,
Mimosa imprime nos meus lábios negros
Gostoso beijo de volúpia ardente! –
Vencido de prazer, nadando em gozos,
Já temeroso pé movendo incerto,
Vôo com ela às regiões etéreas
Nas tênues asas de ternura infinda.

Rasgando o véu das ilusões mentidas,
Que est’alma frágil seduzir puderam,
Imóvel terra, cambiantes flores,
Viram meus olhos no romper da Aurora;
E dentre os braços, que cerrados tinha,
Gelada estátua de grosseiro mármore!...

***

Cândidas boninas,
E purpúreas rosas,
Violetas roxas
Do luar saudosas!

Verdejantes murtas,
Redolentes cravos,
Lindas papoulas
Da donzela escravos,

Ao soprar da brisa,
Em balanço undoso,
O mortal encantam
Num sonhar gostoso.

Mas fugindo as nuvens
– Que a ilusão fulgura,
Só vagueia à sombra
Da infernal ventura.

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